Vôo do Beija-flor

Vôo do Beija Flor - Elisa Cristal

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mães deviam ser eternas!

Sepultei minha mãe de 92 anos. Não resistiu a uma braba pneumonia que a levou em uma semana. Estava com muitas limitações nos últimos anos. Acamada e com Alzheimer . Mas ainda interagia no seu mundo que nos dava passagem para ouvir suas músicas preferidas ou elogiar sopinhas e mingaus. 
Era alegre,  apesar de tudo. Tinha sido a vida inteira uma mãe rigorosa e uma avó que muito me ajudou na criação do meu filho. Este veio de Brasília onde trabalha, para despedir-se dela nessa manhã.  Meu irmão , cunhada, nora e sobrinhos foram incansáveis . As duas cuidadoras também . 

Chegou sua hora , o corpo debilitado não reagiu aos antibióticos. 

Está sendo doloroso, mas aceito que está em paz descansando. Sua voz ressoa em mim. - Cidinha, estude. Cidinha, lute. Cidinha, seja uma mulher independente , nada de ficar na cozinha!

Segui seus conselhos.  Estudei. Com 20, já trabalhava como jornalista. Com 22, fui correspondente no Japão. Com 24, já fazia mestrado e começava a dar aulas em faculdades de comunicação.  

Ela se orgulhava do filho engenheiro e da filha jornalista que nunca estudaram em colégio particular. Escolas públicas até as universidades.

Mamãe gostava de acompanhar política e fazer crochê.  

Sinto agora imensa saudade, mas me consolo pois acabou seu sofrimento.
Plantou uma família sólida.  Junto a meu pai com quem foi casada por quase 60 anos, ela nos incentivou a estudar sempre.

É seu legado. Enquanto eu viajava bastante a trabalho,  ela cobrava do meu filho  muita disciplina e organização . 

Só pude agradecer tudo. Muitas vezes, fiz isso. No velório,  falei no seu ouvido que eu seria eternamente grata até pelas broncas que me deu. Foi a minha sorte. Foi o meu Norte. Figura forte.

Mãe devia ser eterna. Na verdade, o é . 

Tenho a sensação do quanto Freud acertou nos seus estudos sobre a influência das mães sobre as criaturas. 

Fui uma filha que questionou muito suas ordens. Mas ela entendeu. Apoiou-me todas as vezes que precisei. Virou bebê na velhice avançada . Passamos a cuidar dela. 

Vi seu corpo frágil ser coberto com flores  para que mamãe Norma se libertasse da prisão de tantas limitações. 

Deve ter voado. Estava muito serena. 
Meu primeiro dia sem a presença física  dela foi um tormento.  Mas sua fortaleza espiritual permanece dentro de mim. 

Disse adeus à minha mãezinha embora ela tenha ficado no meu coração para sempre.

Como deve ser. Mãe é eterna na alma da gente.

Cida Torneros 

3 comentários:

  1. Cidinha vc foi e será a filha que toda mãe deveria ter.
    Sou testemunha da sua incansável dedicação.
    D. Norma descanse em paz.

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  2. Aparecida, meus sentimentos a toda família!
    Agora, restará as maravilhosas lembranças dos ensinamentos deixados pela sua mãezinha.
    Tenho absoluta certeza que vocês se dedicaram , na íntegra, sempre com muita dedicação, amor e carinho, dando-lhe sempre o melhor para o bem-estar da Dona Norma!
    Ela descansou e como sempre, continuará cuidando tb de vocês!
    Que Deus os conforte!
    A saudade, será eterna.
    Mãe deveria realmente ser eterna!!!
    Bjs
    Kilza.

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  3. Querida seja forte, nesse momento e prossiga ela sempre estará a seu lado.😘

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