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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Lembranças de contemporânea. Boechat e seu faro de repórter!




Convivemos profissionalmente desde muito jovens. Também escrevi minha primeira matéria para o velho Diário de Notícias na rua do Riachuelo, em 69. Boechat, em 1970. Foi quando o conheci.

Jovem inteligentissimo, ateu, comunista, cariocaço, bonitão e sobretudo bem humorado.

Tinha o faro da notícia. Quando a partir de 75 fui trabalhar na assessoria de Comunicação da secretaria estadual de saúde,  nos falávamos para a produção de notinhas do tipo " nasceu o neto do Secretário ele vai distribuir charutos. Ele ligava do escritório de Ibrahim Sued.

Sempre ríamos muito com os temas das benditas notas sociais. Anos depois, ele já responsável pela coluna no Globo, eu lhe indicava as possíveis notícias que podiam gerar furo. Houve a dos cães da Guarda Municipal contratados irregularmente .

Uma vez, de São Paulo,  liguei para dizer que tinha um padre jovem prometendo fazer o Carnaval de Jesus, com trio elétrico.  Ele investigou e publicou o início do sucesso do padre Marcelo Rossi.

Passou pela assessoria do governador Moeira Franco. Mas ficou poucos meses. Não tinha a ver com seu perfil.

Anos depois, eu dava aulas na Universidade Gama Filho e organizei um seminário sobre a figura do ombudsman. Convidei Mário Vitor da Folha de São Paulo e Ricardo Boechat que encantou a garotada. Finda a roda de palestras, por sugestão do Boechat, fomos em grupo para Ipanema, para um jantar inesquecível.  Só lembro o nome do garçom que ele chamava de Garrincha. Viramos a madrugada.

Nessa época,  Boechat estava recém solteiro e namorava uma amiga minha. Nos finais de semana, ela ficava com ele e seus quatro filhos.

Boechat era pleno de vida intensa.
Houve ocasiões em que visitei a redação do Globo, por força do meu trabalho em assessoria. Ele sempre perguntava. -Não tem nada para um furo por aí?

Os anos correram. Ele foi pra Sampa. Começou nova vida. Profissional e pessoal. Na Band, passou a ser um âncora popular. Não nos vimos mais. Eu o acompanhei de longe torcendo sempre. Orgulho de ver o companheiro de juventude puxando as manchetes no jornal da Band, todas as noites.

Seu sorriso contagiante me deu muita alegria inclusive nos quadros da rádio com o José Simão.  Buemba, buemba,  break News.

Jornalismo direto. Faro de repórter independente, aquele jovem de 1970 ainda era o mesmo jovem aos 66.

Deixa saudades. Muitas. Fará falta, com certeza, porque dizia na cara o que muitos querem dizer. Boechat nos representava. Era único.

Deus o guarde e console sua doce Veruska e seus 6 filhos. Deus também olhe sua mãe Mercedes, uma argentina cheia de orgulho do filhão jornalista. Todos nós orgulhamos dele.

Paz para o garoto Ricardo Eugênio,  um farejador da informação,  um brasileiro antenado com o momento nacional. Partiu, nos deixando perplexos e chocados no auge do furo. Que droga  de furo. Tipo da notícia que nenhum de nós queria dar.
Cida Torneros

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