Vôo do Beija-flor

Vôo do Beija Flor - Elisa Cristal

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Foi Deus


Andarilho


Caminhe, moço !
Caminhe e observe
Solte a verve.
Espaireça.
Compreenda a vida.
Olhe as pessoas
Nas cidades soltas.
Aprecie as tardes
 Sobre a lida,  decida...
Caminhe, homem 
Que o mundo gira
Enquanto a incerteza invade.
Todo o futuro que chegou
Pra ela e pra você agora...
Esqueça de ir embora.
Permaneça assim:
Andarilho errante vida afora...
Se houver chance de revé-la
Caminhe até ela, enamorado,
Ainda um pouquinho, apaziguado,
Pra festejar o tempo enfim...
Cida Torneros

Com o passar dos anos



Assisti o quadro " com o passar dos anos" no programa da Eliana no domingo da sua volta à televisão. O cantor Zezé di Camargo e sua companheira Gracieli Lacerda passaram por um processo de maquiagem para envelhecerem 20 anos duas vezes. 

Primeiro o efeito de ter 75 anos para o Zezé e 57 para a Gracieli. Depois a sensação de ter 95 e ela 77. 

Os comentários e comparações demonstraram que os conceitos estão atrelados ao momento atual do que o casal está passando. Falaram de ciúmes por conta de ficarem muito tempo usando o celular. Coisa que com o passar dos anos assumirá com certeza relevância menor. Difícil alguém imaginar suas limitacoes físicas ou emocionais décadas à frente. 

Conjecturas soltas. Saúde e trabalho tantos anos adiante São fruto de imaginação insólita. O aspecto físico acaba sendo o dado mais relevante. "Velho bonitinho" ou velhinha cujas pernas continuam bonitas foram comentários manifestados. A hipótese de se perderem um do outro ao longo da estrada foi aventada e discutida. Gracieli ficou muito emocionada.

A apresentadora deu um toque solene ao quadro mas falta consistência de valores quando o que se mede é a aparência que muda com o envelhecimento e fica impossível ver as mudanças emocionais ou espirituais que fatalmente ocorrerão em cada um de nós ao longo de 20 ou 40 anos. Isso sim fará a diferença.

 Com o avanço da medicina e da tecnologia até será possível diminuir em muito os aspectos de aparência física tornando os rostos e corpos mais rejuvenescidos. 

Entretanto, os efeitos do tempo nas mentes humanas são totalmente imprevisíveis. Estar velho com cabeça jovem é o que todos almejam. Pílulas de bom humor poderiam ser administradas além de remédios para o organismo minimizar os efeitos do tempo

Talvez a intenção do quadro seja a de mostrar que é preciso encarar que o tempo passa para todos e como será enfrentar rostos modificados e dificuldades de caminhar ou sobreviver às agruras das limitações que o tal passar dos anos impõe a cada um de nós. 

Só o futuro dirá, apesar de a curiosidade pontificar com interrogações todas as expectativas do amanhã de famosos como o programa apresentou. Zezé, aos 95, de bengala , parecia um senhor plácido e sereno observando o tempo e relembrando o amor.
Valeu pela reflexão! 

Cida Torneros

Por una cabeza


domingo, 29 de outubro de 2017

Distante dos olhos


La barca


Here comes the sun


Amado


Pela luz dos olhos teus


Vivir sin aire


O mundo é um moinho


Meu coração é brega


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

De Alcatraz a Alcaçuz


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Cida Torneros: Desde Alcatraz até os dias de Alcaçuz, vai raiar a liberdade no horizonte?

Quinta, 19 de janeiro de 2017
Alcaçuz


Janeiro de 2017
De Alcatraz a Alcaçuz*
Maria Aparecida Torneros
Da história do presídio por onde andou até Al Capone, na ilha localizada na baía de São Francisco, restam lendas e muitas verdades incontáveis.
Por aqui, à beira do Atlântico, na capital do Rio Grande do Norte, cidade que já abrigou bases militares americanas nos idos da segunda grande guerra, temos a nossa Alcaçuz.
Por lá, no momento, também há uma sangrenta guerra.
Desde Alcatraz até Alcaçuz, uma simbologia desumana ou bestial cerca de muros ou de águas, o crime que não se quer regenerar.
Uma entrada de tropas militares nesta guerra carcerária deva ser um recurso emergencial decidido pelos comandantes da defesa Nacional.
Onde está nossa liberdade mesmo? Num hino que prega que ela já raiou no horizonte do Brasil. É cantilena?
Senhores, por favor, bestializar criaturas é mais fácil que investir em educação por certo.
Desde a tal crise de 29 que a economia selvagem do capitalismo egoísta vem formatando sociedades cada vez mais armamentistas e guerreiras.
Alguns dirão que isso acontece na humanidade há milênios.
Com certeza. Mas as cabeças pensantes tentaram nos passar a hipótese de sociedades justas com oportunidades de igualdades.
O que se constata é o crescimento ou surgimento de facções desde as práticas corruptas dos engravatados até as corruptelas dos delitos cometidos por pequenos aviões adolescentes.
Assim costumam chamar os meninos cooptados para a venda avulsa das drogas.
Estas são fonte de altas rendas no mundo inteiro.
O sistema finge que combate enquanto o consumo cresce e o crime avança.
Seres que um dia se diziam humanos tem suas imagens transmitidas ao vivo por televisões cujos repórteres descrevem cenas animalescos para o público constatar o que tá careca de saber.
Armas, drogas, celulares, tudo está ao alcance dos humanos revelados e lhes chegam através de mãos ao alcance. Ou compram ou ameaçam ao passo que o baile continua.
Como se fossem macaquinhos em exposição, eles são exibidos alvoroçados, trepando em telhados, degolando e sendo degolados.
Terror é pouco. Nada supera o poder emblemático dessas cenas. Nem o que se contou das lutas no Coliseo romano de homens enfrentando ferozes animais.
Um sadismo absoluto em meio a um bando de governantes idiotizados. ( Talvez vendidos?)
A pergunta que não quer calar? Até quando construiremos mais presídios do que escolas?
Senhor Deus dos desgraçados…lembrei Castro Alves. É delírio ou é verdade? Terrorismo midiático ?
Incompetência absoluta de programação para recuperar presidiários?
Total incapacidade de ocupa-los em atividades e doação de suas vidas ao caos sem chance de não serem manipulados pelas ditas facções de tanto poder e tamanho espírito organizado?
Somos o que? Uma plêiade de eleitores vis? Nossos escolhidos nomeiam péssimos chefetes para cuidar da segurança como um todo?
Nossos juristas e togados ficam de prontidão ou permanecem em suave recesso?
Oro pelos criminosos também. Pelas vítimas e familiares mais ainda.
Desculpem-me Santos e até Cristo, mas o que devo rezar por esta manada de governantes que parecem mais perdidos do que cegos em tiroteio?
Peço vênia ao Conselho Nacional de Justiça ora presidido por uma mulher mineira e discreta.
Seja macha, Carmen Lúcia. Assuma o que o Brasil espera.
Use a melhor das armas. Ame nosso povo e organize o galinheiro. Tire do puleiro quem só grita, canta de galo, mas não age.
Seja justa. Use mesmo saia justa. Agregue seus pares. Os ímpares também . Se for preciso.
Chame as mulheres. Crie grupos para dar aulas de humanidade nos cárceres.
Talvez Deus até ajude. Porém, cara senhora que disse os versos de Caetano, se alguma coisa está fora da ordem, vamos realinhar forças e honrar esta nação brasileira. Ainda dá tempo.
Alcatraz ficou pra traz. Virou ponto turístico. Alcaçuz e tantas outras prisões nacionais na verdade nos tornam reféns da infecção generalizada que se abate em nossa sociedade de poetas vivos e inocentes mortos diariamente nas ruas, nas cidades, nos campos, nos céus e mares.
Nos ares há profunda tristeza de ver gerações perdidas. Vamos resgatar pessoas ou vamos fazer vista grossa ou fazer de conta que tudo certo como dois e dois são cinco?
Esse Sol vai raiar ou permaneceremos na louca escuridão?
Cida Torneros, jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida.


Alcatraz

Texto e fotos extraídos do Blog Bahia em Pauta. Com a autorização da autora do artigo.

Você mexeu com a minha vida


Mais um na multidão


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Saudades de Paris...detalhes




CRÔNICA publicada  no site-blog Bahia em Pauta, em 2010

DETALHES

Maria Aparecida Torneros

Como profetizou o Rei Roberto, o tempo pode até transformar todo o amor em quase nada, mas um dia , muitos anos depois, você acorda e não é que lembra dele, por um detalhe, um movimento qualquer do dia-a-dia que faz com que sua lembrança volte, de repente, mesmo que o sentimento tenha se escafedido, o cara reaparece por uma frase que alguém disse, ressuscitado pela magia da memória que devolve o encanto por algum milésimo de segundo. E você se pergunta: onde ficou aquela criatura que me despertou a tal paixão avassaladora daqueles dias da minha mocidade?

Aliás, em tempos de tanto botox, tanta cirurgia plástica, tanta academia, haja “curves”, para conter o avanço da velhice sobre a juventude que se torna objeto de cultivo raro… por seu bom humor e inconsequencia, muito mais do que por sua contaminação de beleza, leveza, soltura de gestos, falta de dores musculares, ou coisa que o valha, pensemos, em contrição e com certa compaixão por nossa caminhada em mundo tão visual, onde parece até que ter peitos e coxas, bundas e faces, etc, etc, conservados em formol, daria a chave para abrir as portas do paraíso…

Como não se curvar diante daquele pequeno detalhe que alguém nos legou para florescer, exatamente, 20, 30, 40 anos depois, como se fora um feitiço virando contra o enfeitiçado? Aí, o som daquela voz antiga volta como num filme, o brilho de certo olhar insistente e pedinte ressurge das cinzas, o desenho de uma boca, de um nariz e até o contorno dos dedos dos pés podem oferecer registro póstumo para um amor que já morreu, uma daqueles transformado em “quase nada”, que, como diz a própria canção , o próprio “quase também é mais um detalhe…

Aí, melhor embarcar na sucessão de “quases”, deixar-se levar pela emoção revivida, anunciar ao velho coração que “tá tudo bem”, que pode se permitir reviver, rememorar, talvez o gosto de um velho beijo, quem sabe o calor de um abraço que virou nada, até a sensação da presença de alguém que a vida já levou para o outro lado, e a gargalhada, seu eco, sua marca, suas piadas, a luz da sua passagem em nossas vidas, pode ser de gente que está viva, nos deu momentos sublimes, e saiu por aí, casando e descasando, como todos nós, buscando pares novos para velhos desejos de sermos felizes…

E estar feliz é exatamente isso, é ter boas recordações, viver intensos encontros, continuar na luta em função de armazenar detalhes tão pequenos que um dia, ora, pode ser hoje e agora, nos tornam pessoas grandes, profundas, maduras, agradecidas por termos lembrancinhas de amores passados, pérolas de brilhos rejuvenescidos, tesouros interiores.

São tantas coisinhas miúdas, patrimônio nosso de cada dia, como o “pão nosso”, como o detalhe nosso, aquele que deixamos marcado em gente que nos ama ou já amou, nos recorda, e até nos reaparece numa manhã de terça-feira, como um presente que o correio deixou de entregar, levou anos na prateleira, e lá vem ele, exatamente no instante em que a gente descobre que estar vivo para reviver, é uma chance única, só nos resta agradecer…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher necessária





Dream a little dream. Subtítulo em espanhol


Dream a little dream of me


Little a little dream of me


Do fundo do meu coração


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Padroeira do Brasil


No feriado de 12 de outubro fiquei ligada na TV Aparecida todo o dia para acompanhar os festejos em homenagem à aparição da Padroeira. Assisti a missa solene da manhã e ao programa especial em forma de documentário que foi reprisado durante a tarde. 

Para encerrar a programação comemorativa tivemos um grande show à noite com a participação de cantores e cantoras que homenagearam Maria.

Elba Ramalho, Preta Gil, Paula Fernandes, Joana, Alcione, Renato Teixeira (autor de Romaria), Daniel, Xitaozinho e Xororó,  Agnaldo Rayol, Michel Teló,  todos apresentados pelo padre Fábio de Melo. 

Cida Torneros 

Andrea Bocelli canta com detentos


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A vida começa aos 60

domingo, 27 de dezembro de 2015

Sim, a Vida começa aos 60!



Quando fiz 60,  descobri que tinha Vida e aposentadoria pela frente. Fui a Itália e na volta, lancei o segundo livro, aos 61.

Voltei à Espanha,  aos 63. Fui a Alicante, Valência   e Barcelona. Era 2012. Anos antes tinha ido a Madri e Galicia.

Recebi um amigo para o réveillon no Rio, na virada de 2014. Ele veio da França e tínhamos nos conhecido em Paris, em 2009. Mon ami foi embora. Fiz duas cirurgias na cabeça e me recuperei.

Em outubro de 2014, aos 65,   me envolvi  com um médico  que me cuidava. Acho que estava debilitada e carente. Intensa crise de coluna. Melhorei.

Mas nos desencontramos. Cheguei a pensar que nos desencantamos.

Em 2015, segui meu coração, reuni muitos amigos  e ganhei uma festa para comemorar os 66 em setembro. Minha imaginação voa. Ainda bem.

 Ultimamente, um sonho doido me ronda: Fazer um intercâmbio para a terceira idade e passar boa temporada fora do Brasil.

Coisa de adolescente inquieta na melhor idade. Mas com o estado de mamãe aos 90 anos nem penso atualmente em viajar.

Ah..E ainda tem a estranha premonição de me casar em Veneza aos 69. Com quem será? Feliz 2018! Vale uma brincadeira.

Cida Torneros