Vôo do Beija-flor

Vôo do Beija Flor - Elisa Cristal

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Michel Sardou


À Paris


Nós sempre teremos Paris

Nós sempre teremos Paris, crônica de 2013


Nos sempre teremos Paris,  crônica de 2013

Cida Torneros:O delírio romântico que Paris ocasiona nos corações necessitados de crer no amor
Arquivado em (Artigos) por vitor em 10-09-2013 00:04

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CRÔNICA
Nós sempre teremos Paris
Maria Aparecida Torneros


Na semana passada, para compensar a dor da perda de uma grande amiga, recebi dois telefonemas de Paris. A voz masculina, do outro lado da linha, era querida, amável, carinhosa e me cobria de mimos. Nas madrugadas em que me acordou, lá eram 7 da manhã, ele me trouxe o clima parisiense de volta, eu revivi, de certo modo, o delírio romântico que aquela cidade ocasiona nos corações necessitados de crer no amor.
No domingo, vejo o anúncio no jornal da ultima apresentação da peça “Nós sempre teremos Paris”, telefono para saber se ainda há lugares, decido ir na sessão de 18.30h, mando torpedo para avisar meu irmão para que dê uma olhada na nossa mãe velhinha, com quem passo os fins de semana, e fujo, literalmente, para ter Paris, de novo.
Sozinha, sento na poltrona de número 7, no balcão, observo a platéia e o palco, com visão privilegiada, imagino que subi na torre Eiffel, inicio minha sucessão de delírios!
O texto é direto, simples, envolvente e amoroso. A direção da francesa Jacqueline Laurence, autoria do jornalista Artur Xexéo, que vi circulando lá fora antes da abertura do teatro Leblon, sinto que o espetáculo é perfeito para a minha alma necessitada de atravessar o oceano, no caso, a cidade, saindo direto da Vila de Noel, para a Paris instalada na zona Sul do Rio de Janeiro.
Meus sonhos de chegar a Paris, duraram cerca de 40 anos. Comecei a desejar realmente visitar a cidade-luz, com 19, mas só consegui alcançá-la, com 59.
Em 2009, depois de excursionar por Espanha e Portugal , com amigas, decidimos amanhecer em Paris, indo de trem noturno, procedente de Barcelona.
A primeira visão do lugar foi cheia de expressões adolescentes, eu pedia às amigas, por favor, me belisquem, estou mesmo em Paris?
E sucederam-se 5 dias de deslumbramento, passeios, museus, etc.
Na véspera do vôo de volta ao Brasil, elas foram de eurostar a Londres , bem cedinho, e eu fui esperar um amigo brasileiro, radicado desde 68 na França, que viria de Lyon, para me rever e reviver comigo, nossa juventude distante. Ele trouxe presentinhos e eu lhe dei dvds do Zeca Pagodinho. Passeamos muito, de mãos dadas, rimos, almoçamos no quartier latin, e fechamos a noite no Café du Flore, ele voltou para casa, e eu para o hotel, precisava dividir com as amigas, a sensação de namorar, em Paris, com 40 anos de atraso.
Dois anos depois, em 2011, voltei a Paris, desta vez com outra amiga, também permaneci por 5 dias e de Paris, seguimos para 15 dias na Itália, começando por Milão.
Paris de 2011 já era para mim, um resumo de maturidade, não reencontrei ninguém, conheci pessoalmente a baiana Regina Soares, que já era amiga virtual, vive na California, passamos horas conversando. Entretanto, eu me reconheci, muito feliz, comigo mesma. O sabor dos sonhos dos impressionistas me invadiu, passeei de barco no rio Sena, assisti missa na Sacre Couer e para fechar, claro, levei minha companheira de viagem, para tomar vinho no Cafe du Flore, para brindarmos Paris.
A voz das ligações que tenho recebido de Paris é de um amigo português, que ali vive, há muito tempo, mas também tenho amigas e amigos franceses com quem troco conversas via internet, já que, há 3 anos, aos 61, resolvi estudar francês.
Uma das pessoas que me oferecem seu carinho, na língua francesa, é um argelino que vive em Paris, desde os anos 50, que me enviou, inclusive, fotos do casamento muçulmano, da sua filha, no ano passado.
Eu estava ali, diante do palco, ouvindo as canções lindas, interpretadas por Françoise Forton e Aloisio de Abreu, e Paris estava em mim, outra vez, e podia sentir que todas as pessoas respiravam La vie en rose, no final de domingo de setembro, enquanto o coral infantil da Rocinha, entoava o hino concebido por Piaf, uma emoção intensa.
Saí correndo, precisava voltar para ficar com mamãe, atravessei a cidade, e, no táxi, pensei assim: Paris sempre me tem de volta, desde Casablanca, o filme, ou desde aquele dia, no final dos anos 60, em que meu namoradinho da faculdade quase partiu meu coração, me avisando que ia morar em Paris! E foi.
Maria Aparecida Torneros, jornalista, escritora, mora no Rio de Janeiro, edita o Blog da Cida, onde o texto foi publicado originalmente.
(5) Comentários    Read More
Comentários

Cida Torneros on 10 setembro, 2013 at 1:25 #
Merci! Oui, Paris , toujour, avec l’amour!

Graça Azevedo on 10 setembro, 2013 at 14:51 #
Vi a peça quando estive no Rio. Sensações semelhantes às suas, Cida!

regina on 10 setembro, 2013 at 15:49 #
Que bom que há Paris,
amigos que chamam no meio da noite,
mimos que se transformam em romance,
necessidade de crer no amor,
irmãos, amigos e mães, que se ajudam entre si,
sonhos que se fazem realidade,
encontros no meio da tarde que viram historia,
Café du Flore, rio Sena, missa na Sacre Couer,
Amores/Amantes/Amigos
volta à realidade mas a possibilidade de voltar à Paris…
Que bom que há Cidas!!!!!

regina on 10 setembro, 2013 at 15:58 #
A Paris – Yves Montand
http://www.youtube.com/watch?v=BZkVH-YcS-s

Cida Torneros on 10 setembro, 2013 at 20:16 #
Regina, que lindo! Merci
Graça, estamos em sintonia!
Bisous procesduas!
Cida

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Palácio de Versailles


Os jardins de Versailles


Paris e Versailles



Versailles, nos arredores de Paris. Fui em 2009. Beleza e luxo históricos. 

A pompa da corte de Maria Antonieta  que viveu uma realidade distante da pobreza da maioria da população francesa na época da queda da Bastilha e o período conturbado da Revolução Francesa. 

Jardins magníficos e Palácio exuberante.  Versailles abriga um museu visitado por milhares de turistas que constatam a riqueza de seus aposentos e presumem a distância daquela vida nababesca que devia seren um insulto à fome do povo francês sofrido com tanta desigualdade. 

Versailles permanece como um alerta para o mundo atual pois a ostentação dos dirigentes não pode ultrapassar os limites do humano direito de sobrevivência digna de todas as classes sociais.

Paris ao longe ainda exala o cheiro da injustiça daquele tempo. Muita coisa aconteceu de lá para cá e o mundo ainda vê o atônito leque de governos que se distam das necessidades dos seus governados nos dias atuais. 

Os ideais da Revolução Francesa estão mais vivos do que nunca!
Cida Torneros 

Fera ferida


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Catavento e Girassol


Guinga


Crônica para lembrar Paulo Faya ( ano 2010)



sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Saudades e "solidões" que voam ...( dedicada ao Paulo Faya, parceiro do Guinga)


Saudades e "solidões" que voam...

Ontem, peguei-me amargurada, depois que, por email, recebi a notícia da morte de um grande amigo,  com quem troquei, nos últimos 15 anos, muitas vezes, a sensação de um futuro que teríamos juntos e que nunca aconteceu. Estivemos próximos e distantes, por  inúmeros momentos. O tempo se encarregou de nos povoar de uma saudade estranha. 

Houve ocasiões em que éramos tão cúmplices das nossas histórias de perdas e desenganos pessoais, que bastava  uma conversa de cinco minutos, via telefone, e direcionávamos nossos sentimentos para a construção do  grande pilar familiar. Podíamos dividir as preocupações com filhos e com seu neto, por exemplo, com seu futuro. Partilhávamos as dores físicas, as necessidades cirúrgicas, o passar dos anos, minhas dores de coluna, suas dificuldades de locomoção, a tal velhice que iniciava em nós um processo lento de despedida da vida.

Faz alguns meses, aconteceu a última vez em que nos falamos, também por telefone, depois de um ano, talvez, meio  perdidos um do outro, senti sua voz embargada do  outro lado da linha, perguntei o que acontecia, e ele apenas justificou-se estar emocionado por ouvir-me de novo, após tanto tempo. 

Contou-me das mudanças de vida nesse período, falou-me que finalmente estava andando sem as muletas que o perseguiram por causa dos  problemas no joelho, fora operado e estava recuperado.

Disse-me que mudara de casa e de bairro, que estava bem feliz, com nova companheira, deixara de morar sozinho, já que era viúvo há muito tempo. 

Procurei conter também, por minha parte, a emoção de senti-lo de novo, tão próximo pela voz e tão distante, pelos descaminhos da vida. Mesmo assim, nos prometemos, tirar um dia para sairmos e comemorar, em família, com sua filha e neto, o menino que o orgulhava tanto e que ele não cansava de idolatrar. Prometemos nos encontrar para comermos novamente, juntos, aquele  peixinho especial que servem num restaurante localizado nas imediações da minha casa. Este almoço, ficamos nos devendo, então, sei agora, pra sempre.

Quando era possível, ele vinha, depois de atravessar a cidade, da Barra da Tijuca até Vila Isabel, para compartilharmos o sabor dos mares, peixes e camarões, o gosto dos oceanos, a face de alguma saudade que voava  sobre nós, de vez em quando.

No fundo, nos recentes meses, comecei a me dar conta dos inúmeros familiares, amigos e amigas que tenho perdido e de como vou acrescendo a lista de saudades destas  pessoas em mim e das consequentes solidões que elas me provocam.

O meu amigo se foi,  preparo-me para ir assistir a missa em sua homenagem. Lembro-me dele em diversas ocasiões, trabalhando ainda como médico em consultório ou hospital, lembro-me dos nossos almoços, das nossas  batalhas políticas, das longas reflexões sobre nossos filhos e das muitas confissões sobre nossas angústias de vida. 

Houve ainda, momentos de descontração. Ele cantava algum trecho de canção antiga, no telefone. Ríamos, ele tinha sido compositor-estudante no tempo de universitário. Parceiro do famoso Guinga. Uma composição dos dois intitulada - "sou só solidão", fora finalista e premiada na primeira eliminatória do inesquecível festival da canção de 1967.

Gostava de me relembrar aquela época de jovem romântico compondo músicas em festivais.  Uma vez, fui ao google e o avisei que ele estava lá como compositor de  uma canção vencedora em algum desses festivais. 

Talvez pudéssemos ter aprofundado o convívio, mas não foi  o caso. Tivemos aquele bom viver baseado em admiração, respeito e carinho. Era bom sermos referências mútuas de vidas dedicadas ao trabalho e à família. 

Sua admiração pelos filhos, a intensa e dolorosa recordação do filho que perdera, ainda adolescente,  o orgulho pelo outro filho fotógrafo de moda, a paixão pela filha advogada, que lhe deu o "netão", sua felicidade em acompanhar o nascimento e crescimento do menino.

Entre muitas declarações de amizade, pudemos construir uma base para sentirmos imensa saudade, daquelas que voam, que permanecem, além da vida, que flutuam no nosso interior, estejamos em corpo ou em alma, em presença ou ausência, em palavras ou silêncio.

Atualmente, sinto que  isto pouco importa,  meu amigo está aqui, apesar da sua passagem para o  outro lado, ele consegue me trazer a lembrança viva da sua voz embargada, concluo que talvez fosse mesmo o prenúncio da nossa despedida que o tivesse levado às lágrimas, enquanto eu não percebi isso, naquele dia.  

O que me deixa amargurada não é o nosso adeus nesta Terra,  nem tampouco algum medo de um fim que sei não é eterno, pois creio no encontro espiritual, possível e etéreo.

O que me deixa amargurada, na verdade, tem a interface da proposta de sua velha canção premiada, a idéia da "solidão" como uma premissa infame e constante  na vida. Penso  que podemos sentir saudades do que nunca aconteceu, do que cultivamos somente em sonhos, do que foi fantasia quando projetamos futuros incertos, das realidades que não alcançamos, e  dos desejos que não realizamos. 

Penso que estas saudades tão marcantes, refletem o vôo dos pássaros sobre os mares, das gaivotas que buscam os peixes para seu alimento. 

Meu amigo e eu, ocasionalmente, baixávamos sobre a linha dágua e engolíamos os tais peixinhos, trocando olhares de satisfação e palavras de esperança, como tento encontrar agora, as mesmas palavras  carregadas de emoção e agradecimento por ter podido conhecê-lo e ter  dividido com ele tantas boas recordações, e ainda, receber esta herança sem preço... carregar comigo  as saudades dele, pairando, voando, sobre meu coração solitário e sobre minha cabeça de "mulher mais inteligente que eu conheço" - era como ele se referia a mim, numa confissão quase infantil, tão sincera e tão inconsistente...

Como eu sempre rebatia...- se eu fosse mesmo tão inteligente assim, teria sabido preencher com mais alegria o coração daquele  ser que me legou esta saudade estranha, que agora me invade, dando voltas ao meu redor, alada, voejante, insistente, que me faz chorar e rir ao mesmo tempo, que me confunde entre o sonho e a realidade.

Maria Aparecida Torneros

Nenhum


Omara Portuondo


Buena vista social club


Pablo Milanez


Ultimos dias em Havana


‘Últimos dias em Havana’ leva a Cuba de hoje ao cinema

Do diretor cubano Fernando Pérez, longa fala sobre amizade e o desejo de ficar e de partir

'Últimos dias em Havana' estreia no Brasil
Cena de 'Últimos dias em Havana', do cubano Fernando Pérez.
Diego (Jorge Martínez) vive na cama de um cortiço em Havana, fortemente afetado pelas complicações da Aids. Ele é cuidado pelo amigo, Miguel (Patrício Wood), que trabalha em uma lanchonete e sonha em ir embora para os Estados Unidos. O primeiro, dotado de humor e irreverência, deseja ficar, permanecer vivendo. O segundo, um homem fechado, que não sorri e fala pouco, quer ir embora e, ainda que não tenha imigrado para os Estados Unidos, sua cabeça já está lá.
Apesar do enredo, em Últimos dias em Havana, o novo longa do diretor cubanoFernando Pérez (Suíte Havana e Madagascar), não há vítimas. O filme trata de amizade, humanidade e mostra a vida na Havana de hoje. Premiado pela melhor direção e melhor fotografia no Cine Ceará deste ano, e melhor trilha sonora e prêmio especial do jurado no Festival de Havana do ano passado, o longa estreia nesta quinta-feira, 24 de agosto, em salas dos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e Salvador. Sua estreia mundial ocorreu no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano.
Após a exibição do longa no festival cearense, há duas semanas, Martínez e Wood contaram que a história de Últimos dias em Havana começou quando um rapaz, que trabalhava em um banco em Havana, bateu na porta do cineasta Fernando Pérez com cinco roteiros nas mãos. Um deles era a história que deu origem ao longa. "É um filme atual, sobre a vida de hoje em dia em Havana", contou Martínez. Na história, seu personagem, um homossexual aidético, leva o humor na medida para o filme, cujo roteiro original era um pouco mais "pesado", mas foi adaptado pelo diretor para ficar mais "leve".
Últimos dias em Havana tem um equilíbrio entre o trágico e o cômico. Apresenta um contexto histórico muito bem marcado sobre a vida em Cuba na atualidade. Os dois atores estão visivelmente entrosados, algo que ficou evidente até mesmo durante a entrevista coletiva que ambos deram em Fortaleza.
O nome que o filme leva casa perfeitamente com a história. Apesar disso, o diretor queria nomear o longa de Chupa Piruli. "Ainda bem que o produtor perguntou ao Fernando [Pérez] se ele tinha certeza que todo mundo entenderia o nome", brincou Patrício Wood, durante a entrevista coletiva no Ceará. Para entender o por quê do quase-nome de Últimos dias em Havana, será preciso assistir ao filme até o final..