Postagem em destaque

A Paz

domingo, 30 de outubro de 2016

Nina Pastori


Alma mia


Sérgio Reis e Renato Teixeira


Cantora cigana surpreende o Papa


Música para espantar tantá crise e tanta falta de vergonha!


Gracias a la Vida


Gonzaguinha e Maria Rita


Las três grandes


Hablame


Saia do meu caminho


sábado, 29 de outubro de 2016

Reaparicion de Isabel Pantoja


Sin ella


Medo de avião


Sonho meu


Sua estupidez


Lá cama de piedra


Uruguay..volvere.. para me quedar alí... quiem sabe?





























Júlio Iglesias


Vidas dentro da Vida


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Luz Casal e Concha Buika


Documental Marisol


Reaparicion de Isabel Pantoja


Tantas caras







Volver a Los 17










Astor Piazzolla


Vicentico


Volver


Omara Portuondo


Buena Vista Havana : nueva generacion


Jura


Você vai ser o meu escândalo


El trabajo de mi amigo Ricardo Soca

La página del idioma español

Ricardo Soca
   
  
La Página del Idioma Español (http://www.el-castellano.com), que en abril próximo cumplirá cuatro años en la red mundial, está considerada hoy como una de las principales referencias mundiales de consulta sobre la lengua de Cervantes.
Dirigida desde Brasil por el periodista uruguayo Ricardo Soca, esta página permite solventar en línea casi cualquier duda sobre temas lingüísticos, gramaticales y literarios o, en último caso, el consultante ciertamente encontrará allí dónde proseguir su investigación.
Entre sus incontables recursos, el navegante hallará cientos de diccionarios en línea, varios capítulos sobre la gramática castellana, lo mejor de la prensa en español de todo el mundo, las mejores radios en español por Internet, enlaces con lo más interesante de la Literatura Hispanoamericana y Español y las últimas noticias sobre los temas referentes al idioma castellano. En su interior, el visitante hallará siempre las últimas novedades sobre los más importantes concursos literarios en nuestro idioma y las últimas decisiones de la Real Academia Española, referencias bibliográficas, listas de libros más vendidos, etc. Para los traductores, es una referencia invalorable con los riquísimos recursos disponibles en su "Rincón del Traductor. En su interior, el sitio alberga asimismo la página de la revista "Apuntes..." una riquísima referencia de los traductores en español de Nueva York.
Otro interesante capítulo es "El Español en los deportes", coordinado por el lingüista español Jesús Castañón Rodríguez, quien también es consultor en lenguaje deportivo de la agencia española EFE. Allí se pueden hallar numerosos trabajos sobre el lenguaje utilizado por cronistas deportivos hispanos, la correspondencia entre vocablos usados en España y América y también glosarios bilingües y multilingües sobre varios deportes.
En febrero del año 2000, La Página del Idioma Español recibió 136.101 visitantes, que abrieron 444.321 páginas. "Parece increíble si pensamos en los 50 visitantes diarios que teníamos en los primeros meses", comentó Ricardo Soca al verificar las cifras estudiadas por el programa "Analizer".
Inicialmente, contenía apenas una referencia al curriculum vitae del autor y se enriquecía con algunos diccionarios, referencias gramaticales y la inclusión de algunos de los pocos diarios que por entonces había en la Internet. "La idea era ofrecer contenidos que contribuyeran a fortalecer la presencia del idioma español en la Internet, ante el predominio aplastante del inglés. No se trata de enfrentar ni combatir lo que hay en inglés... eso no tendría sentido, lo que siempre buscamos ha sido fortalecer la presencia de nuestra lengua y promover su expansión, junto con el gigantesco caudal cultural que el castellano carga consigo", explica Soca.
La mayor parte de los visitantes, el 42 por ciento, proviene de España, mientras que en segundo lugar se encuentra Estados Unidos, con un 32 por ciento. "Nada sorprendente, dada la posición de Estados Unidos en la red y el crecimiento vertiginoso de nuestra lengua en ese país", observa Soca. Por el orden de número de visitantes, siguen México, Argentina, Colombia, Alemania, Uruguay, Chile, Suecia, Australia... Cabe observar que, aunque con cifras ínfimas, aparecen también países tan distantes como Malasia, Singapur y Taiwan. El objetivo para 2000 es terminar el año con 600.000 visitantes mensuales, que abran dos millones de páginas.
"No es exagerado, si consideramos el trabajo que estamos invirtiendo en el sitio y el rápido crecimiento de Internet. Por otra parte, 600.000 visitantes representarían apenas el 1'5 por mil de los hispanohablantes.
Instalada en Brasil, donde el interés por el idioma español está en vigorosa expansión, la Página está negociando actualmente con el Instituto Cervantes la coordinación de algunas tareas para impulsar el crecimiento del idioma en ese país. Actualmente trabajan en ella tres personas, pero se espera aumentar este número en los próximos meses. La Página del Idioma Español es recomendada por el capítulo de cultura del diario El País Digital (http://www.elpais.es), que destacamos entre muchas otras.
La Página del Idioma Español: http://www.el-castellano.com
Sección

Gente humilde


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Índia


Armando Manzanero y Luiz Miguel



Saudade de Ouro Preto


Bob Marley


Lá iguana


Nosotros


Lila . A mexicana


Fallaste Corazon


Entrevista com a cantora mexicana Lila Downs. Sou tiete!


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Gal


Terceira guerra mundial


Buonanotte


Eu me arrumei mas desisti de ir ver Aquarius... Não me senti bem.

De qualquer modo. Tentei . Fiz então fotos. troquei de roupa e voltei pra cama .  Vou ver as empreguetes.
Meu coração anda me traindo. Muitos exames. angina. etc. calma Cida. tudo vai passar .








Chavela Vargas e Lila Downs


Entendá a PEC 241 e como ela pode afetar você



EL PAÍS
BRASIL

Entenda o que é a PEC 241 e como ela pode afetar sua vida
Com o objetivo de congelar gastos públicos e contornar a crise econômica, proposta divide especialistas

O que é a PEC 241. O presidente Michel Temer. REUTERS

GIL ALESSI
São Paulo 13 OUT 2016 - 19:55 CEST
A Câmara dos Deputados passou em segunda votação nesta terça-feira a proposta de emenda constitucional que cria uma teto para os gastos públicos, a PEC 241, que congela as despesas do Governo Federal, com cifras corrigidas pela inflação, por até 20 anos. Com as contas no vermelho, o presidente Michel Temer vê na medida, considerada umas das maiores mudanças fiscais em décadas, uma saída para sinalizar a contenção do rombo nas contas públicas e tentar superar a crise econômica. O mecanismo enfrenta severas críticas da nova oposição, liderada pelo PT, pelo PSOL e pelo PCdoB, mas também vindas de parte dos especialistas, que veem na fórmula um freio no investimento em saúde e educação previstos na Constituição. O texto da emenda, que precisa ser aprovado em mais duas votações no Senado, também tem potencial para afetar a regra de reajuste do salário mínimo oficial. Veja como foi a votação nesta segunda aqui. Entenda o que é a proposta e suas principais consequências.
O que é a PEC do teto de gastos?

MAIS INFORMAÇÕES
AO VIVO | Votação da PEC 241 na Câmara dos Deputados
Proposta de congelar gastos é positiva mas tem pouco efeito, segundo analistas
Educação e saúde podem perder um terço das verbas obrigatórias
A PEC, a iniciativa para modificar a Constituição proposta pelo Governo, tem como objetivo frear a trajetória de crescimento dos gastos públicos e tenta equilibrar as contas públicas. A ideia é fixar por até 20 anos, podendo ser revisado depois dos primeiros dez anos, um limite para as despesas: será o gasto realizado no ano anterior corrigido pela inflação (na prática, em termos reais - na comparação do que o dinheiro é capaz de comprar em dado momento - fica praticamente congelado). Se entrar em vigor em 2017, portanto, o Orçamento disponível para gastos será o mesmo de 2016, acrescido da inflação daquele ano. A medida irá valer para os três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Pela proposta atual, os limites em saúde e educação só começarão a valer em 2018.

Por que o Governo diz que ela é necessária?

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz que "não há possibilidade de prosseguir economicamente no Brasil gastando muito mais do que a sociedade pode pagar. Este não é um plano meramente fiscal." Para a equipe econômica, mesmo sem atacar frontalmente outros problemas crônicos das contas, como a Previdência, o mecanismo vai ajudar "a recuperar a confiança do mercado, a gerar emprego e renda" ao mesmo tempo em que conterá os gastos públicos, que estão crescendo ano a ano, sem serem acompanhados pela arrecadação de impostos. Para uma parte dos especialistas, pela primeira vez o Governo está atacando os gastos, e não apenas pensando em aumentar as receitas. O Governo Temer não cogita, no momento, lançar mão de outras estratégias, como aumento de impostos ou mesmo uma reforma tributária, para ajudar a sanar o problema do aumento de gasto público no tempo.

O que dizem os críticos da PEC?

Do ponto de vista de atacar o problema do aumento anual dos gastos públicos, uma das principais críticas é que uma conta importante ficou de fora do pacote de congelamento: os gastos com a Previdência. É um segmento que abocanha mais de 40% dos gastos públicos obrigatórios. Logo, a PEC colocaria freios em pouco mais de 50% do Orçamento, enquanto que o restante ficaria fora dos limites impostos - só a regra sobre o salário mínimo tem consequências na questão da Previdência. A Fazenda afirmou, de todo modo, que a questão da Previdência será tratada de forma separada mais à frente. "Se não aprovar mudanças na Previdência, um gasto que cresce acima da inflação todos os anos, vai ter de cortar de outras áreas, como saúde e educação", diz Márcio Holland, ex-secretário de política econômica da Fazenda. "Nesse sentido, a PEC deixa para a sociedade, por meio do Congresso, escolher com o que quer gastar", complementa. Há vários especialistas que dizem que, na prática, o texto determina uma diminuição de investimento em áreas como saúde e educação, para as quais há regras constitucionais. Os críticos argumentam que, na melhor das hipóteses, o teto cria um horizonte de tempo grande demais (ao menos dez anos) para tomar decisões sobre toda a forma de gasto do Estado brasileiro, ainda mais para um Governo que chegou ao poder sem ratificação de seu programa nas urnas. Eles dizem ainda que, mesmo que a economia volte a crescer, o Estado já vai ter decidido congelar a aplicação de recursos em setores considerados críticos e que já não atendem a população como deveriam e muito menos no nível dos países desenvolvidos. Se a economia crescer, e o teto seguir corrigido apenas de acordo com a inflação, na prática, o investido nestas áreas vai ser menor em termos de porcentagem do PIB (toda a riqueza produzida pelo país). O investimento em educação pública é tido como um dos motores para diminuir a desigualdade brasileira.

Quando a PEC começa a valer?

Se aprovada na Câmara e no Senado, começa a valer a partir de 2017. No caso das áreas de saúde e educação, as mudanças só passariam a valer após 2018, quanto Temer não será mais o presidente.

Qual o impacto da PEC no salário mínimo?

A proposta também inclui um mecanismo que pode levar ao congelamento do valor do salário mínimo, que seria reajustado apenas segundo a inflação. O texto prevê que, se o Estado não cumprir o teto de gastos da PEC, fica vetado a dar aumento acima da inflação com impacto nas despesas obrigatórias. Como o salário mínimo está vinculado atualmente a benefícios da Previdência, o aumento real ficaria proibido. O Governo tem dito que na prática nada deve mudar até 2019, data formal em que fica valendo a regra atual para o cálculo deste valor, soma a inflação à variação (percentual de crescimento real) do PIB de dois anos antes. A regra em vigor possibilitou aumento real (acima da inflação), um fator que ajudou a reduzir o nível de desigualdade dos últimos anos.

O que acontece se a PEC for aprovada e o teto de gastos não for cumprido?

Algumas das sanções previstas no texto da PEC para o não cumprimento dos limites inclui o veto à realização de concursos públicos, à criação de novos cargos e à contratação de pessoal. Em outras palavras, pretende ser uma trava muito mais ampla que a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, que cria um teto de gastos com pessoal (vários Estados e outros entes a burlam atualmente).

A PEC do teto vale para os Estados também?

A PEC se aplicará apenas aos gastos do Governo Federal. No entanto, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, já sinalizou que o Planalto deve encaminhar em breve uma segunda PEC que limita os gastos estaduais. Por enquanto não há consenso entre o Executivo Federal e os governadores sobre o assunto.

Quais impactos a PEC pode ter nas áreas de educação e saúde?

Os críticos afirmam que a PEC irá colocar limites em gastos que historicamente crescem todos os anos em um ritmo acima da inflação, como educação e saúde. Além disso, gastos com programas sociais também podem ser afetados pelo congelamento. Segundo especialistas e entidades setoriais, esta medida prejudicaria o alcance e a qualidade dos serviços públicos oferecidos. Especialistas apontam problemas para cumprir mecanismos já em vigor, como os investimentos do Plano Nacional de Educação. Aprovado em 2014, o PNE tem metas de universalização da educação e cria um plano de carreira para professores da rede pública, uma das categorias mais mal pagas do país. "A população brasileira está envelhecendo. Deixar de investir na educação nos patamares necessários, como identificados no PNE, nos vinte anos de vigência da emenda proposta – tempo de dois PNEs -, é condenar as gerações que serão a população economicamente ativa daqui vinte anos, a terem uma baixa qualificação", disse o consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo Sena, ao site Anped, que reúne especialistas em educação.

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que mais importante do que o valor despendido com áreas como saúde, educação e segurança, é a qualidade desses gastos. "Dados da educação e da saúde hoje mostram que a alocação de recursos não é o problema. É preciso melhorar a qualidade do serviço prestado à população", disse. "Teremos muito trabalho. O principal deles será o de mostrar que a saúde e educação não terão cortes, como a oposição tenta fazer a população acreditar", afirmou a líder do Governo no Congresso, a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES).

A PEC do teto atingirá de maneira igual ricos e pobres?

A população mais pobre, que depende do sistema público de saúde e educação, tende a ser mais prejudicada com o congelamento dos gastos do Governo do que as classes mais abastadas. A Associação Brasileira de Saúde Pública, por exemplo, divulgou carta aberta criticando a PEC. No documento a entidade afirma que a proposta pode sucatear o Sistema Único de Saúde, utilizado principalmente pela população de baixa renda que não dispõe de plano de saúde. Além disso, de acordo com o texto da proposta, o reajuste do salário mínimo só poderá ser feito com base na inflação - e não pela fórmula antiga que somava a inflação ao percentual de crescimento do PIB. Isso atingirá diretamente o bolso de quem tem o seu ganho atrelado ao mínimo.

Por que a Procuradoria Geral da República diz que é inconstitucional?

Em nota técnica divulgada em 7 de outubro o órgão máximo do Ministério Público Federal afirmou que a PEC é inconstitucional. De acordo com o documento, "as alterações por ela pretendidas são flagrantemente inconstitucionais, por ofenderem a independência e a autonomia dos Poderes Legislativo e Judiciário e por ofenderem a autonomia do Ministério Público e demais instituições constitucionais do Sistema de Justiça [...] e, por consequência, o princípio constitucional da separação dos poderes, o que justifica seu arquivamento". A crítica vem pela criação de regras de gastos para os demais Poderes. Na nota, a procuradoria argumenta que, caso aprovada, a PEC irá prejudicar a “atuação estatal no combate às demandas de que necessita a sociedade, entre as quais: o combate à corrupção; o combate ao crime; a atuação na tutela coletiva; e a defesa do interesse público". A Secretaria de Comunicação Social da Presidência rebateu a PGR, afirmando que na proposta não existe “qualquer tratamento discriminatório que possa configurar violação ao princípio da separação dos poderes".

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Máquinas que fornecem do pão às flores


Paloma Negra


Una noche em Napoles


Light my fire


Olé


Raiz


Que nadie sepa mi sufrir


Por El Amor


Teco Teco


Militares infiltrados 34 anos depois?

Capitão vivia em apartamento de general que atuou em órgão de inteligência da ditadura

Ativistas cobram explicações sobre monitoramento


Se estivéssemos na década de 1970, o trabalho de monitoramento de manifestantes feito em São Paulo pelo capitão Willian Pina Botelho, que usou nome falso no Tinder para se aproximar de “meninas de esquerda”, seria chamado depaquera. Era assim que os militares que trabalhavam no Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo chamavam a aproximação dos infiltrados com grupos considerados de interesse pelo regime militar. A anedota, porém, não é o único eco da ditadura que reverbera na trajetória do capitão que, segundo o Exército reconheceu nesta semana, "acompanhava" manifestantes contrários ao 
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Willian Pina Botelho vivia, até o mês passado, em um apartamento na avenida Brigadeiro Luís Antônio registrado em nome de Manoel Morata de Almeida. Morata era capitão do Exército, assim como Botelho é hoje, quando ingressou no DOI-CODI de São Paulo, entre o final dos anos 70 e início dos 80. Fazia parte de uma geração de militares que não tinha relação com a morte das mais de 60 pessoas que ocorreram ali, ou com o sumiço de outras 19, além das dezenas de torturas de militantes que ocorreram na sede do extinto serviço de inteligência do regime militar. “O DOI-CODI de 1979 não é a mesma coisa que o DOI-CODI de 75”, diz o jornalista e escritor Elio Gaspari, autor da série de cinco livros sobre a ditadura.
Depois de 1979, o DOI-CODI deixou de interrogar e torturar e passou a acompanhar os movimentos dos militantes, coincidindo com os primeiros sinais da curva terminal do regime. “É o período dos atentados a bomba contra bancas de jornais em São Paulo e de infiltração em partidos políticos, sindicatos, igrejas e movimentos estudantis”, explica o jornalista e escritor Marcelo Godoy, no livro A casa da vovó(Editora Alameda) _o título é uma referência a como os militares chamavam o DOI-CODI na época: “lá é que era bom”. “Tratava-se de vigiar muito mais do que punir”, define Godoy.
Uma das operações do período foi a Pira, coordenada pela nova geração do DOI-CODI, que incluía Manoel Morata. A ação, em 1982, infiltrou agentes secretos nos hotéis e alojamentos de estudantes de todo o país que participavam do 34º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Naquele Congresso ninguém foi preso, mas muitos foram monitorados.
Trinta e quatro anos depois, o episódio do capitão Botelho devolve o enredo envolvendo estudantes e monitoramento aos arredores do prédio do DOI-CODI, na rua Tutóia, 921. As pontas se juntam em um quadrilátero que é possível percorrer em menos de uma hora a pé. O símbolo da repressão da Tutóia acabou em 1991 e deu lugar ao 36º Distrito Policial. É no cruzamento da rua com a Abílio Soares que vive Manoel Morata. Pela mesma via, o general chega ao Círculo Militar, do qual é presidente. Por ali também alcança o Comando Militar Sudeste, onde serve como general de brigada no mesmo endereço em que Botelho está lotado como capitão. A um quilômetro de distância dali, fica o apartamento de Morata onde Botelho vivia.
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A proximidade dos endereços de Manoel Morata, o Círculo Militar, o Comando Sudeste e o apartamento onde o capitão Botelho vivia. 
A reportagem tentou contato com Morata pessoalmente e por telefone, mas o general não quis conceder entrevista nem falar sobre o caso. O Exército afirmou que, “por ser de foro pessoal, a instituição não se manifestará” sobre a residência do capitão em São Paulo.

Movimentação desde 2014

A natureza da ligação entre Morata e Botelho é apenas uma das zonas nebulosas envolvendo os passos de "Balta Nunes", como ele se apresentava, enquanto agente em campo entre manifestantes em São Paulo. Chegou à reportagem ao menos um relato de que ele se apresentou ainda em 2014 com o mesmo codinome que usou nas conquistas ideológicas no Tinder.  E, enquanto ativistas questionam se há, de fato, respaldo legal para a operação de inteligência em que Botelho atuava, nesta semana houve um choque público entre as versões do Exército brasileiro e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a respeito.
Na última terça-feira, o comandante-geral do Exército, general Eduardo da Costa Villas Bôas, afirmou que “houve uma absoluta interação com o Governo do Estado” para a operação em 4 de setembro, que envolveu a detenção de 21 manifestantes antes de um ato contra Temer na cidade. Fotografado como parte do grupo revistado pela polícia naquele dia, Botelho foi o único a não ser preso, o que levantaria suspeitas e ajudaria a revelar sua verdadeira identidade.
Villas Bôas rejeitou o termo infiltrado, mas confirmou que, sim, Botelho estava "acompanhando" o grupo de manifestantes. Já secretaria de Segurança do Governo Alckmin seguiu negando, como antes, que a pasta estivesse em uma ação conjunta com as Forças Armadas naquele domingo. Depois do constrangimento com a gestão tucana, o Exército ressaltou apenas, por meio de nota, que a integração com os órgãos de segurança é "primordial" para o sucesso de uma operação de inteligência. “O acompanhamento de manifestações de rua está inserido no contexto das operações de inteligência. Ressalta-se que a interação e a sinergia entre os órgãos competentes é fator primordial para o êxito nesse tipo de operação.”

Sem entrar em detalhes, a corporação repetiu que abriu uma sindicância para apurar o caso, que tem de ficar pronta até meados do mês que vem. Não se sabe exatamente o que procedimento visa responder, mas, se depender dos ativistas que seguem o tema, a lista não seria pequena.
Se na década de 1980, época em que o então capitão Morata prestava serviços ao Destacamento de Operações de Informação, as ações do DOI-CODI eram realizadas com base na Lei de Segurança Nacional, de 1935, hoje o Exército evoca a Lei Garantia de Lei e da Ordem para afirmar que está dentro da lei o monitoramento de manifestações. “O Exército tem sido empregado frequentemente nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)”, disse a corporação, por meio de nota enviada no final de setembro. Essa lei foi sancionada por Dilma Rousseff no final de março de 2014, poucos meses antes da Copa do Mundo no Brasil, quando o país ainda ecoava os gritos de "não vai ter Copa", iniciado nas ruas em junho de 2013.
Foi em março daquele mesmo ano de 2014, que alguém que assinava como Baltazar Nunes fez um contato, por e-mail, com uma fonte especialista em manifestações públicas, que pediu para não se identificar. Além de se fazer chamar no e-mail de Nunes - o mesmo codinome usado no grupo de manifestantes -, ele se identificou como membro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. A fonte está convencida de que se trata do mesmo Balta Nunes ou capitão Botelho, que menos de um ano antes, em novembro de 2013, publicou um artigo na revista A Lucerna, uma publicação da Escola de Inteligência Militar do Exército, intitulado A inteligência em apoio às operações no ambiente terrorista. O contato ao vivo não chegou a ser feito. "Baltazar" queria mais informações sobre as manifestações de rua que vinham ocorrendo com mais intensidade desde 2013 e que poderiam se intensificar com a chegada do Mundial nos próximos meses.
Não há outros sinais que permitam dizer que Willian Botelho permaneceu atuando como "Balta Nunes" desde então. O certo é que a lei aprovada na época, e já vista com ressalvas por parte dos especialistas que criticaram Dilma e o PT por ela, permite operações de Garantia da Lei e da Ordem em dois escopos: ações pontuais, e as de monitoramento, chamadas "ações preventivas".
Para que as Forças Armadas possam operar uma ação pontual, é preciso que o presidente da República faça a solicitação. "A decisão do emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem compete exclusivamente ao presidente da República", diz o texto da lei. Três dias antes dos 21 manifestantes serem detidos em São Paulo, o presidente assinou um decreto autorizando o uso das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem. De acordo com a publicação no Diário Oficial, o período de atuação das Forças Armadas se limitava ao dia 04 de setembro, data em que a tocha Olímpica passaria pela cidade. O procedimento foi repetido por causa da tocha em outras cidades e dificilmente explicaria a ação de Botelho nos dias prévios.
Pedro Abramovay, advogado e ex-secretário Nacional da Justiça no Governo Lula, afirma que o Exército não pode fazer uma operação da Garantia da Lei e Ordem (GLO) sem um pedido do Estado onde ela acontecerá. “O Exército não tem direito de monitorar manifestante a partir da GLO. A Polícia Federal talvez, a Polícia Militar eventualmente. A não ser que o governador tenha pedido para fazer isso, num decreto público”.
Na semana das detenções, o militarafirmou a interlocutores, ainda se identificando como Balta Nunes, que não foi levado à delegacia com os demais porque portava um documento de identidade falso. “Se você diz que você não é quem você é, isso é falsidade ideológica”, diz Abramovay. “E se alguém mandou ele dizer que ele é quem ele não é, essa pessoa é coautora do crime”.
Outro ponto que o Exército pode ter que explicar é a maneira como as detenções ocorreram. Parte do grupo de manifestantes se encontrou no metrô Consolação antes da manifestação. De lá, foram a pé até o Centro Cultural Vergueiro, a quatro quilômetros dali, encontrar os demais. Ali, dezenas de policiais os esperavam. Segundo Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), se foi o capitão Botelho que conduziu o grupo até lá, isso se constitui em um flagrante preparado. "Ele foi uma pessoa que de alguma incitou os manifestantes a se encontrarem naquele lugar", diz. "Esse tipo de flagrante preparado é considerado ilegal". Castro Alves acha difícil que o capitão tenha agido sozinho. "Eu estranharia ser uma ação isolada pelo fato dele ser um capitão, não é um amador, é um profissional, que dificilmente atuaria sem o conhecimento dos seus superiores, sem estar em uma ação planejada".
Para Abramovay, as questões não respondidas até o momento levantam a suspeita de que, de fato, não era uma ação isolada. “O maior medo é que isso seja uma coisa sistemática”, diz. "Se a gente não entender exatamente esse caso - quem deu a ordem, por que, qual é essa operação, quanto custou - o medo é que isso seja um grande ...