Vôo do Beija-flor

Vôo do Beija Flor - Elisa Cristal

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ennio Morricone Cinema Paradiso


A noite do meu bem


Flor de Lis


Uma linda mulher


Pretty woman, o modelito inesquecível





A minha paixão por bolinhas é  um fato mas o modelito usado  pela personagem  de Pretty woman  é inesquecível.
Bolas brancas no fundo café chapéu e luvas indicando elegância e singeleza para uma dama em festa de bacana. A garota de programa vivida na tela realiza seu sonho de Cinderela e é encontrada pelo seu Príncipe encantado que ao se apaixonar por ela vai mudar totalmente sua vida.
Vivian é moça sonhadora apesar do meio onde se insere e ao conhecer o homem executivo solitário que precisa de companhia ela descobre que ambos tem sentimentos .
Os sentidos os aproximam e o comércio sexual vira história de amor. 
No filme este traje realmente me marcou. Embora em outras cenas apareçam muitos outros no processo de transformação na moda, talvez a classe das bolinhas supere ao meu ver os demais modelos.
Imagens lindas de conto de fadas. No cinema, elegância e época se confundem com fantasia e emoção.
Cida Torneros 

Geração Y ou "milennials"

Geração Y

Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da Internet[1] , é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, como Don Tapscott, à corte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela geração Z.
Essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, e facilidade material, e efetivamente, em ambiente altamente urbanizado, imediatamente após a instauração do domínio da virtualidade como sistema de interação social e midiática, e em parte, no nível das relações de trabalho. Se a geração X foi concebida na transição para o novo mundo tecnológico, a geração Y foi a primeira verdadeiramente nascida neste meio, mesmo que incipiente.
É importante notar que não existe geração Y no campo, se a natureza da renda da família e da cidade estão relacionadas a um histórico de trabalhos braçais e tradicionais, rurais, ou tradicionais manufatureiras.
Há uma diferença significativa entre as modalidades de prosperidade econômica e níveis de interação material mundiais, quando comparadas as duas gerações (x e Y). Na primeira, a quantidade de elementos lúdicos, de brinquedos, artefatos e eletrodomésticos ou qualquer nível de produto na cadeia social é muito menor que na segunda, e em contrapartida, mais duradouro e predisposto à manutenção ao invés do descarte e atualização (update).
A dinâmica da manutenção e reciclagem econômicas foram dramaticamente alteradas na virada do milênio, encabeçadas por potências como o Japão e Tigres Asiáticos e EUA, onde o ciclo econômico de reciclagem e descarte passaram a fazer parte do circuito econômico de produção local, por necessidade ambiental ou retorno financeiro. Simultaneamente, a natureza da efemeridade dos programas computacionais e a lógica da indústria de softwares induziram também fortemente, o conceito de descarte e atualização. De forma complementar, o desenvolvimento da indústria automobilística entrou no patamar de configuração dos veículos, também por questões de reciclagem e descarte que alimentariam a cadeia produtiva desde a fonte, em termos de reduzir a espessura das latarias e materiais em função da absorção de impactos em colisões. Este elemento, de origem investigativa com base em pesquisas de colisão com modelos e bonecos, por si só inseriu em parte a necessidade de redução da resistência mecânica e portanto, durabilidade material das latarias, fato perceptível no senso comum da população.
Estas diferenças econômicas produziram, com efeito, uma geração familiarizada com a baixa durabilidade e efemeridade dos produtos. Neste novo ambiente volátil, onde podemos assistir a queda de diversas profissões e a relativização de outras, a lógica do trabalho até então conhecida das profissões e carreiras adquiriu novo significado e grau de comprometimento.
A geração Y foi desta forma, superexposta a novo nível de informação, afastada dos trabalhos braçais e sobrecarregada de "prêmios" e facilidades materiais em troca de pouco ou nenhum esforço. Em parte este processo ocorreu devido a uma aparente compensação a partir dos pais, originários da geração X, possivelmente tentando compensar a lacuna material pelo qual podem ter passado, se comparadas as prosperidades econômicas da geração X com a da Y. Ao mesmo tempo, possivelmente tentando viver um nível de materialismo econômico através de seus filhos e netos.
Eles cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas[2] . Acostumados a conseguirem o que querem sem esforço ou prazos consideráveis, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e desejam salários ambiciosos desde cedo, em geral com a suposição de que conhecimento e currículo técnico tornam desnecessários outros atributos profissionais. É comum que os jovens dessa geração troquem de emprego com frequência em busca de oportunidades que ofereçam mais desafios e crescimento profissional, ou em função de uma evasão de dificuldades típicas de muitas carreiras. A discrepância na percepção do significado sobre o trabalho e carreira é evidente em diversos foruns na internet, onde se pode observar o confronto de gerações e o discurso divergente, em geral, criticando a postura da geração Y como "sem interesse" e diversos outros adjetivos.
Uma características básica que define esta geração é a utilização de aparelhos de tecnologia, como telefones celulares de última geração, os chamadossmartphones (telefones inteligentes), para muitas outras finalidades além de apenas fazer e receber ligações como é característico das gerações anteriores[3].
A geração Y, também conhecida porMillennials, representava, em 2012, cerca de 20% da população global[4] . Cresceram num mundo digital e estão, desde sempre, familiarizados com dispositivos móveis e comunicação em tempo real, como tal são um tipo de consumidores exigentes, informados e com peso na tomada de decisões de compra. São a primeira geração verdadeiramente globalizada, cresceram com a tecnologia e usam-na desde a primeira infância. A Internet é, para eles, uma necessidade essencial e, com base no seu acesso facilitado, desenvolveram uma grande capacidade em estabelecer e manter relações pessoais próximas, ainda que à distância[5] . A tecnologia e os dispositivos móveis (tablets esmarphones) em particular, criaram condições para os Millennials ligarem-se e comunicarem entre si como nenhuma outra geração o tinha feito anteriormente, permitindo partilhar experiências, trocar impressões, comparar, aconselhar e criar e divulgar conteúdos, que são o fundamento das redes sociais.
Os Millennials têm a expectativa de ter informação e entretenimento disponíveis em qualquer lugar e em qualquer altura. Alch (2000)[6] afirma mesmo que eles têm que sentir que controlam o ambiente em que estão inseridos, têm que obter informação de forma fácil e rápida e têm que estar aptos a ter vidas menos estruturadas.
Enquanto grupo crescente, têm se tornado o público-alvo das ofertas de novos serviços e na difusão de novastecnologias, muitas vezes em função da reciclagem e revenda de produtos praticamente idênticos, através do imaginário da necessidade absoluta de atualização de software e/ou hardware, como ícone de condição de inserção social e econômica.
As empresas desses segmentos visam a atender essa nova geração deconsumidores, que constitui um público exigente e ávido por inovações[7] . Aparentemente e as vezes preocupados com o meio ambiente e as causas sociais, têm um ponto de vista diferente das gerações anteriores, que viveram épocas de guerras e desemprego.
Mas se engana quem pensa que na Geração Y tudo são só flores. Nascidos numa época de pós-utopias e modificação de visões políticas e existenciais, a chamada Geração Y cresceu em meio a um crescente individualismo e extremada competição. Não são jovens que, em geral, têm a mesma consciência política das gerações da época contracultural. E também, como as informações aparecem numa progressão geométrica e circulam a uma velocidade e tempo jamais vistos, o conhecimento tende a ser encarado com superficialidade.[carece de fontes].
A geração Y desenvolveu-se num contexto macroeconômico pós guerra fria, onde as dicotomias extremas foram dissolvidas (com simbologia principal a queda do muro de Berlim) e os partidos multiplicaram-se e assimilaram características dos outros, tornando a percepção desta geração, com relação a que posicionamento tomar, mais complexa e sem base que a da geração X. A dinâmica sócio politica e econômica e a efemeridade dos elementos sociais em geral produziu um solo ideológico instável e flexível, de forma que o partidarismo, acompanhado pelo estímulo do liberalismo ao consumo e a exclusão das ideologias em função do consumo, tornaram-se pouco nítido a essa geração

Como ser solteira


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Elza Soares e Ney Matogrosso


Desde que o samba era semba


Brooklyn uma história de imigrante que continua atual





O filme Brooklyin retrata a história de uma jovem imigrante irlandesa que ruma a New York no início dos anos 50 para viver a a aventura corajosa de absorver os vários lados de outra cultura e enfrentar os desafios de una saudade da familia e do seu lugar de origem.
Uma imagem cuidadosa com figurino e roteiro impecáveis nos faz reviver o tema ainda tão atual.
O sonho de mudar de país e tentar nova vida se segue como um quadro no imaginário dos jovens mas é também uma novidade nas criaturas  da chamada terceira idade no século XXI.
Um fenômeno recorrente. Pessoas concluem período de carreira profissional e construção de família. De repente estão ainda com saúde e disposição para recomeçar novo caminho onde haja coisas novas para viver e até aprender
Pois é assim que me sinto hoje. Sessentona em vias de emigrar.
Comentei isso com meu terapeuta ontem. Ele não se mostrou surpreso. Pelo tempo que me acompanha sabe da minha inquietação  diante do dia a dia repetitivo em que me vejo depois da aposentadoria.
Coincidentemente eu deveria ter emigrado as 19 em 1969 quando meu tio avô teve uma conversa com meus pais depois de me acompanhar às aulas que eu cursava na Universidade em Niteroi à noite.
Ele insistiu que me levaria para New York onde morava e que se responsabilizaria por mim lá me pagando os estudos numa Universidade em horário integral.
Meus pais não  concordaram. Eu me conformei.
Não emigrei como a personagem do filme. Hoje, quase meio século depois, começo a amadurecer a idéia de ser imigrante no Sul da Espanha. Tenho grande amiga lá que me incentiva. Já  visitei a região em 2012 e gstei muito. 
O tema é  mesmo atual. Viver nova vida atravessando o oceano. Como minha avó Carmen fez em 1910 vindo para o Rio de Janeiro. Ou como o irmão dela meu tio-avô Ovídio repetiu fugindo da Galicia para New York com apenas 14 anos .
Farei o caminho de volta. Migrar faz parte do destino inquieto dos seres humanos. O filme é  Fonte de grande reflexão.
Cida Torneros 



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Na Urca para a terapia reencontrando minha centralidade


Estar com o meu terapeuta em dia em que precisava tanto reencontrar minha centralidade. E o lugar não podia ser mais agradavel : Urca. 
Agradeço muito ao Arruda a ajuda profissional que me proporciona além do carinho com que me trata sempre. Sorte minha. 
Cida Torneros 

Vida de escritora ( aspirante ainda)


Busco uma antiga foto. Feita na Bienal de São Paulo em 2008. Estava lançando meu primeiro livro. Título "A mulher necessária ". Uma compilação  de artigos e crônicas cujas publicações anteriores vagaram por aí em textos de revistas e jornais. Em sites e blogs. Em folhas soltas de papel. Em cartões oferecidos. Até em cadernos antigos da chamada civilização do papel.

Depois do advento da informática nossa geração das teclas das máquinas de escrever foi se acostumando ao novo mundo da nuvem que paira sobre nossas cabeças pensantes e cansadas.

Achei que sempre tivera vida de escritora pois me vi criando redações ou poemas desde os tempos de menina. Entretanto, foi aos 58,  oficialmente, que tive meu primeiro book impresso com direito a dar autógrafos e até festejar com amigos e família . Mas a tal vida de escritora é marketing além de talento. Nesse período ainda me vi enfrentando a perda do meu pai, que era mesmo meu melhor amigo.

Segui à cata de buscar aposentadoria porque o desgaste físico trouxe também as complicações de uma coluna sofrida desde a adolescência. Tudo bem, concluí. Afinal, a vida tinha que seguir e eu tinha trabalhado mais de 40 anos com dedicação para mudar o rumo. Mamãe  Ainda tinha boa saúde e mais de 80. Agora ela está com 89 e bastante dependente de acompanhantes. Sobraria tempo para olhar mais por ela foi o que planejei. Filho já estava criado e vivendo a fase de construção de sua própria família.

Mas os caminhos da vida nos dão voltas. E me reconheço deficiente sob o ponto de vista administrativo e financeiro.

Consegui financiar e lançar  um segundo livro em 2010 com o título "Contra-ataque do amor".

De lá  prá cá escrevi um terceiro cujo protótipo ficou bonito de conteúdo feminista e ideológico. " Crônicas frágeis para mulheres fortes". Seus custos eu não consegui cobrir e desisti.

Sigo escrevendo porque é dom, terapia e vício . Uso a Internet e os blogs. Tenho leitores em tantos lugares da Terra que me surpreendo.

É  um consolo. Não sou mesmo uma profissional das vendas ou mercado literário então contento-me com a alegria de contar histórias ou crônicas sobre os cotidianos humanos

Sou mesmo aspirante ainda. E aos 66,  é  minha adolescência retardada essa postura quase infantil de tecer versos e conceber textos com inspiração de quem supera os conflitos interiores ou pelo menos tenta fazê -lo.

Sou assim. Uma extra terrestre confusa que não se ambienta no universo infame da corrida louca pelo dinheiro consumista. Vivo com pouco. E não me envergonho de ter dívidas porque isso significa que mesmo aposentada corro atrás da sobrevivência com a dignidade das fêmeas solitárias.

Divido histórias e sonhos. Mas não  reparto dramas cuja culpa é minha e dos caminhos tortuosos do meu destino ou das minhas escolhas.

Bom me ver como eterna aspirante ao mundo das letras. Bom? Digamos que melhor é  ser agradecida por ainda criar palavras que se combinem com ilusões e talvez se percam na nuvem interneteira por aí.

Para sempre. Quem saberá?

Cida Torneros 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Café com leite, pão com mortadela e Campos dos Goytacazes


Acordo às  8 e preparo um simples café da manhã. Ligo a TV onde o Gabeira mostra o Norte fluminense. Aparecem tomadas com entrevistas sobre a crise daquela região. A redução de receita pós boom do petróleo além da nostalgia da época áurea da riqueza colonial mantida pelo ciclo da cana de açúcar
Tenho carinho especial por Campos dos Goytacazes. Aprendi ainda menina a gostar dali pois meu pai representava um fazendeiro de lá que mantinha escritório no Rio para acompanhar os processos do DNOS que cuidava das dragagens onde o velho Chico Pinto dos olhos azuis mantinha seus negócios e papai o assessorava. Quando o Coronel campista vinha na capital Niterói , papai ia presrar-lhe contas das atividades e era comum voltar para casa  com presentes saborosos. Goiabada cascao e o inesquecivel doce chuvisco feito de ovos. Nos Natais vinham os perus. O fazendeiro mandava o caminhão com eles vivos. Papai providenciava o abatedouro, a limpeza e embalagem das aves e sua distribuição aos funcionários da autarquia e outros varios amigos do fazendeiro que figuravam na lista dos perus. O telefone de casa não parava. Todos queriam o seu. E papai se desdobrava para atender com o famoso e tradicional presentinho para a ceia de Natal. Eram os anos 60, 70 e início de 80.
Acompanhei meu pai em algumas viagens àquela cidade. Meu irmão ajudava nas idas ao abatedouro e na entrega aos premiados.
Anos depois, trabalhando para o Governo do Estado, comecei a visitar Campos regularmente. Na Saúde primeiro e depois na SERLA em trabalho de Rios e Lagoas. 
Nessa fase conheci Cristina Márcia e ganhei uma irmã campista. Ela me trouxe a mãe Zezé com suas broas de milho e uma plêiade de amigas como Helo Pinheiro, Carol e outras.
Daí fui conhecer Atafona e o delta do Paraíba do Sul. Acompanhei o enriquecimento com o petróleo chegando a ver o inicio das obras do Porto de Açu. Passei a observar que se abriam cursos de mandarim visando a troca co os chineses que viriam para as trocas comerciais.
Gabeira mostra que tudo parou.
Um impasse que a crise trouxe. A prefeita Rosinha Garotinho tenta governar Campos cortando gastos.
O povo da região se adapta ao novo quadro. Os municípios vizinhos também
Mordo meu pão com mortadela. Recordo o gosto da broa de milho da d. Zezé. Quero revisitar minha família de Campos. Acho que não vou por lá há mais de 5 anos.  Saudades dos passeios pela cidade. Saudades do peixe bijupira que Helo faz com banana da terra. Saudades da cantoria com Cris nos bares na noite. Saudades do meu pai cuidando das coisas do Chico Pinto como se cuidasse de um pai. Saudades das feiras agropecuárias onde trabalhava em estand do governo estadual e até das viagens de barco pela Lagoa Feia com técnicos da SERLA.
De repente Gabeira finaliza o programa sem resposta para o futuro do Norte fluminense.
Termino meu café com gosto de goiabada na memória. Penso na cana de açúcar. Sua pujante economia. No petróleo e sua viscosa lucratividade. No Rio Paraíba do Sul e a embocadura no mar quase abandonado ou até  ameaçado pelas obras paradas do Porto de Açu. 
Repentinamente, lembro de um encontro de jornalistas no Sesc da praia nos anos 80. Havia promessa de futuro. 
Meu café tem sabor de esperança apesar dos pesares. Terra com chuvisco é terra de índios guerreiros. História de um Brasil a ser redescoberto. 
Resolvo que não vou demorar muito a voltar lá.
Minha mana me espera e a crise é nada diante da força daquela gente agricultora amante da terra que dará a volta por cima com certeza.
Cida Torneros 

Eva tomando Sol


Sabina y la llave de la libertad en Granada


Joaquin Sabina El Grand artista


Onde mora o esquecimento?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Baila comigo como se baila na tribo




Receba as flores que lhe dou


poema para as flores que não me enviaste


Imaginei-as
Elas não chegaram
Oficialmente creio
Porque as flores a que não me enviaste
Foram ofertadas em pensamento
Delas saiu um perfume que me veio
Chegou até meus braços e narinas
Coloridas de olfato doce, olhei-as
Na pura fantasia do vão momento
E abracei a ti na verdade
Senti tua presença em realidade
Ouvi tua voz medicinal e curandeira
Achei-me louca com tal asneira
Busquei lucidez na alma confusa
Mas só me sobrou a imagem 
Das flores que te representaram
Ainda que fossem um sonho
Afinal chegaram
E tu me agraciaste com carinho
Lembrei do beijo roubado
Da frase incompleta 
Aquela que talvez fosse a primeira
Questão de ordem
O nosso encontro desencontrado
Esta sensação de labirinto 
É a vontade que sinto
De te surpreender
Mandar-te flores ou bilhetes
Com frases conclusivas
Que definam quem somos nós 
Um para o outro agora
Que o tempo voa em falsetes
Olhares de soslaio
Cujo vento sopra lá fora
E dentro de nossos corações 
Ele parece ter parado
Naquele 15 de Maio..
Cida Torneros 




Pensar a profissão (jornalista) nas guerras diárias

01/02/2006 às 08:30

Pensar a profissão nas guerras diárias

Escrito por: Maria Aparecida Torneros (*)
Fonte: Observatório da Imprensa
São mais de três décadas nessa vida de se encontrar, diariamente, com o fato, por ser jornalista. Comecei em redações de jornais e revistas, e enveredei pelas assessorias de imprensa de órgãos onde se concentram notícias do dia-a-dia. Em cada um deles, esteja de que lado estiver, me informando ou passando informação, sinto-me sempre personagem do imprevisível.
Não há um dia de jornalista em que tudo esteja certinho, planejado e possa ser cumprido como uma agenda perfeita. Basta refletir sobre ontem, um dia comum de trabalho, uma sexta-feira em que, mais uma vez, fui ao campo de batalha, e não me feri fisicamente (sorte minha), mas minha emoção, repetidamente, se arranhou de brasilidade frustrada.
Miséria que salta
Mala pronta para passar o fim de semana em Búzios, na casa de amigos, saí na sexta em busca do pretenso dia calmo. Pretendia passar na repartição, atualizar trabalho rotineiro, sair mais cedo e ganhar a estrada rumo à paz e ao mar azul. Trabalho na assessoria de imprensa da empresa que cuida de rios e lagoas no Rio de Janeiro.
Enquanto vou, vestida de um branco impecável, meu chefe liga e me chama: "Vem pra cá, na favela de Vigário Geral, já estamos começando a dragagem com a polícia pra ver se achamos os corpos dos rapazes". Oito jovens estão desaparecidos na comunidade desde dezembro, na guerra do tráfico.
Mudo o trajeto do táxi, vou encontrar com o motorista do trabalho na Avenida Brasil. Troco de carro, vamos à luta. Maleta guardada, minha nossa, estou de sandália, e chego ao matagal, por onde tenho que adentrar, via terreno da Marinha, em Parada de Lucas. Ali, troco de novo de carro, uma caminhonete capaz de vencer o terreno impróprio, rota de fuga de bandidos, um campo imenso do outro lado da margem do rio, bem em frente à violenta e paupérrima aglomeração de casinholas de tijolos aparentes, onde vou assistindo à miséria que salta, nos espiando.
Chiqueiro de porcos
Há um pedaço maior a vencer em que o carro não passa. Sigo a pé, cuidado com as cobras e os formigueiros, vou adensando o passo, amassando capins, folhas, me esquivando dos galhos altos, que me batem no rosto, vou ficando suja, o branco da roupa coalhado de pontos pretos, os pés desprotegidos se safando dos percalços, e encontro o chefe, os policiais, os militares da união, a draga, muitas armas pesadas (há o perigo de sermos alvo repentino de uma rajada vinda do outro lado do rio, porque a guerra do tráfico ali é uma das mais violentas do Rio de Janeiro, atualmente).
Sou a única mulher naquele momento, do lado de cá. Os repórteres que vieram estiveram ali cedo, antes de a draga chegar, e se foram para as redações, com imagens e palavras a serem reproduzidos, ainda começo de operação.
Embrenho-me, ouço e respondo a um bando de meninos do outro lado, não há um só com camisa, todos descamisados e descalços, gritando sobre as mortes, que devem ser parte do seu dia-a-dia, aceno sem saber por que, internamente, sentindo-me tão impotente diante do seu futuro. Meu chefe comenta: "Tanto menino se oportunidade, o que vai ser dessa gente?"
O sol está forte, a tarde avança, o trabalho da draga é insano. O lodo é fedorento, o chiqueiro de porcos do outro lado, dizem, é reduto de carne humana esfacelada, comida dos suínos, lenda ou realidade falada por todos, como se fosse uma coisa normal. Ponto de desova, sujeira encruada, miséria humana a olhos vistos, uma população concentrada, duas comunidades em guerra constante, se odiando em função de apoio de facções criminosas conflitantes.
O vôo e o crime
De repente, tiros. Os policiais correm, se posicionam, há um jipe da Marinha com dois soldados (o único veículo que chegou até a beira onde a draga se posicionou), me mandam entrar no jipe e me proteger. Tudo se acalma, foi só um susto, pego carona no jipe. Os galhos entram pela janela-porta, sem vidro, e me roçam, eu me esquivo, brinco com os rapazes, soldados da Marinha, que parece que estamos no Vietnã dos anos 70, eles são tão jovens, sorriem, mas sei que não entendem muito bem minha alusão.
Não satisfeita, falo em guerra civil do Líbano, olhando a comunidade do outro lado, sua sede de vingança local, problemas tão distanciados da vida legal do país, imagina, nem sabem direito como são as leis que os protegem, quem os protege são os chefes das quadrilhas, seus ídolos, seus comandantes de guetos girando dinheiro e sobrevivência em torno do comércio das drogas. Uma repórter de rádio me liga para saber das novidades, brinco com ela que estou literalmente num mato sem cachorros.
Por sobre as nossas cabeças, aeronaves imensas, na rota comum, se preparam a todo instante para o pouso no Tom Jobim, aquele mesmo que cantou as belezas do Rio. Sei que todos os dias essa gente deve olhar para cima, provavelmente imaginando como será lá dentro de um avião bonito daqueles, tão perto das suas vidas, poucos metros acima, e tão distante da sua realidade, em que cada vôo para o amanhã pode representar a fuga da polícia, o envolvimento com o crime.
Brasil desconexo
Saio do front, vou telefonar e passar informações. Até agora, nada de corpos, os trabalhos vão ser interrompidos, ameaça de chuva forte no Rio, no cair da tarde. Estou cansada, suja, ou melhor, imunda, tenho sede e fome, ali não há nada nem para comer ou beber. O chefe volta, encontramos o motorista, vamos escapar do lugar, mas o caminho não é o de casa ou a cidade da Região dos Lagos que sonhei. Vamos para a Barra da Tijuca, temos problemas com a ecobarreira das gigogas – outra guerra que passamos a enfrentar, tal a quantidade de esgoto e lixo na lagoa, e o risco diário de que elas invadam as praias no verão carioca.
A chuva chega. Atravessamos a cidade, no caos, começa a reunião com os engenheiros e técnicos no posto de recolhimento das gigogas. Lá pelas sete da noite, uma alma caridosa providencia sanduíches e guaraná.
Também nesse grupo sou a única representante do sexo que chamam de frágil. Ligo a televisão portátil no carro, no meio do toró, no estacionamento local. Preciso ver as notícias. A noite caiu. Meu estado de abandono físico reflete o compromisso com a informação. Ainda atendo aos retardatários que me perguntam dos fatos, adianto os do dia seguinte. As providências que serão tomadas. Falo da agenda do chefe, a do sábado. Sábado? Minha amiga liga de Búzios: "Você tá chegando?" Só consigo ultrapassar a porta do apartamento lá pelas 10 e meia da noite, depois de vencer, com o motorista, um engarrafamento-monstro, efeito do temporal.
Hora de tomar banho e fazer um lanche. Hora de refletir sobre a escolha profissional. Mas esta eu já fiz, há mais de 30 anos. Num dia em que li a reportagem-depoimento da italiana Oriana Falacci sobre a revolução no México que ela estava cobrindo e onde se acidentou. Previ que também testemunharia muitas guerras no dia-a-dia de um Brasil tão desconexo entre sonho e realidade. Minha sexta-feira foi apenas mais uma dessas batalhas. Agora, já virou notícia velha. Preciso sair em campo e colher novas informações.
(*) Jornalista, assessora de comunicação social da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas do Estado do Rio (Serla)

Aprendendo


Ilusão à toa


Cena final Ghost ( revi o filme na sessão da tarde)


Gracias, Sabina


Joaquin Sabina