Vôo do Beija-flor

Vôo do Beija Flor - Elisa Cristal

domingo, 29 de março de 2015

Artigo no jornal O Estado de São Paulo, do juiz federal Sergio Moro


Juiz da Lava Jato propõe prisões antes do trânsito em julgado
Sérgio Moro é criticado por advogados por manter presos, de forma preventiva, os alvos da Operação  Lava Jato.


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, publicou um artigo neste domingo, no jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com o também juiz Antônio Cesar Bochenek, em que defendem uma ideia polêmica: réus condenados já em primeira instância debem permanecer presos, perdendo o direito de recorrer em liberdade. Hoje, de acordo com as leis brasileiras, as prisões ocorrem após o trânsito em julgado, ou seja, depois de apreciados todos os recursos.

"A melhor solução é a de atribuir à sentença condenatória, para crimes graves em concreto, como grandes desvios de dinheiro público, uma eficácia imediata, independente do cabimento de recursos", dizem os dois juízes.

Antônio Cesar Bochenek é presidente da Associação dos Juízes Federais, entidade que apresentará projeto neste sentido ao Congresso Nacional.

"Não se ignora, por evidente, a possibilidade do erro judiciário e de eventual reforma do julgado, motivo pelo qual se propõe igualmente que as Cortes recursais possam, como exceção, suspender a eficácia da condenação criminal quando presente, por exemplo, plausibilidade do recurso. Mas a exceção não invalida a proposição", acrescentam os magistrados.

Para o advogado Nélio Machado, que defende o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, Moro tenta manter presos os alvos da Lava Jato antes mesmo do julgamento. As longas prisões preventivas da Lava Jato também já foram criticadas por Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Veja o artigo:

"A denominada Operação Lava Jato revelou provas, ainda pendentes de exame definitivo pelo Judiciário, da aparente existência de um esquema criminoso de corrupção e lavagem de dinheiro de dimensões gigantescas. Se confirmados os fatos, tratar-se-á do maior escândalo criminal já descoberto no Brasil. As consequências são assustadoras.

A Petrobras sofreu danos econômicos severos, ilustrados pelo pagamento de propinas milionárias a antigos dirigentes e pelo superfaturamento bilionário de obras. Além dos danos imediatos, a empresa sofreu grave impacto em sua credibilidade. A própria economia brasileira, carente de investimentos, sofre consequências, com várias empresas fornecedoras da Petrobras envolvidas no esquema criminoso.

Mais preocupante ainda a possibilidade de que o esquema criminoso tenha servido ao financiamento de agentes e partidos políticos, colocando sob suspeição o funcionamento do regime democrático. Embora se acredite que, com o apoio das instituições democráticas e da população em geral, tais problemas restem ao final superados, inclusive com o fortalecimento da democracia e da economia brasileiras, a grande questão a ser colocada é como se chegou a esse ponto de deterioração, no qual a descoberta e a repressão de crimes de corrupção geraram tantos efeitos colaterais negativos?

Uma das respostas é que o sistema de Justiça Criminal, aqui incluído Polícia, Ministério Público e Judiciário, não tem sido suficientemente eficiente contra crimes desta natureza. Como resultado, os problemas tendem a crescer, tornando a sua resolução, pelo acúmulo, cada vez mais custosa.

A ineficiência é ilustrada pela perpetuação na vida pública de agentes que se sucedem nos mais diversos escândalos criminais. Não deveria ser tão difícil condená-los ao ostracismo. Parte da solução passa pelo incremento da eficiência da Justiça criminal. Sem dúvida com o respeito aos direitos fundamentais dos investigados e acusados, mas é necessário um choque para que os bons exemplos de eficiência não fiquem dependentes de voluntariedade e circunstâncias.

Sem embargo de propostas de alterações do Direito Penal, o problema principal é óbvio e reside no processo. Não adianta ter boas leis penais se a sua aplicação é deficiente, morosa e errática. No Brasil, contam-se como exceções processos contra crimes de corrupção e lavagem que alcançaram bons resultados. Em regra, os processos duram décadas para ao final ser reconhecida alguma nulidade arcana ou a prescrição pelo excesso de tempo transcorrido. Nesse contexto, qualquer proposta de mudança deve incluir medida para reparar a demora excessiva do processo penal.

A melhor solução é a de atribuir à sentença condenatória, para crimes graves em concreto, como grandes desvios de dinheiro público, uma eficácia imediata, independente do cabimento de recursos. A proposição não viola a presunção de inocência. Esta, um escudo contra punições prematuras, impede a imposição da prisão, salvo excepcionalmente, antes do julgamento. Mas não é esse o caso da proposta que ora se defende, de que, para crimes graves em concreto, seja imposta a prisão como regra a partir do primeiro julgamento, ainda que cabíveis recursos. Nos Estados Unidos e na República francesa, dois dos berços históricos da presunção de inocência, a regra, após o primeiro julgamento, é a prisão, sendo a liberdade na fase de recurso excepcional.

Não se ignora, por evidente, a possibilidade do erro judiciário e de eventual reforma do julgado, motivo pelo qual se propõe igualmente que as Cortes recursais possam, como exceção, suspender a eficácia da condenação criminal quando presente, por exemplo, plausibilidade do recurso. Mas a exceção não invalida a proposição. O problema da legislação atual é o de supor como geral o erro judiciário e, como consequência, retirar toda eficácia da sentença judicial, transformando-a em mera opinião, sem força nem vigor. No Brasil, chegou-se ao extremo de também retirar-se a eficácia imediata do acórdão condenatório dos Tribunais, exigindo-se um trânsito em julgado que, pela generosidade de recursos, constitui muitas vezes uma miragem distante. Na prática, isso estimula recursos, quando não se tem razão, eterniza o processo e gera impunidade.

A AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil apresentará, em breve, proposição nesse sentido ao Congresso Nacional. O projeto de lei foi previamente aprovado pela ENCCLA – Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de dinheiro no ano de 2014, em grupo de trabalho que contou com membros dos três Poderes.

Pelo projeto, o recurso contra a condenação por crimes graves em concreto não impedirá, como regra, a prisão. Permite ainda o projeto que o juiz leve em consideração, para a imposição ou não da prisão, fatos relevantes para a sociedade e para a vítima como ter sido ou não recuperado integralmente o produto do crime ou terem sido ou não reparados os danos dele decorrente. Exige-se ainda alguma cautelaridade para a prisão, mas não como antes do julgamento.

Não se trata aqui de competir com as proposições apresentadas pelo Governo Federal ou pelo Ministério Público, mas contribuir, usando a experiência da magistratura, com a apresentação de projeto que pode mudar significativamente, para melhor, a Justiça.

O Brasil vive momento peculiar. A crise decorrente do escândalo criminal assusta. Traz insegurança e ansiedade. Mas ela também oferece a oportunidade de mudança e de superação. Se a crise nos ensina algo, é que ou mudamos de verdade nosso sistema de Justiça Criminal, para romper com sua crônica ineficiência, ou afundaremos cada vez mais em esquemas criminosos que prejudicam a economia, corrompem a democracia e nos envergonham como País".

* Sergio Fernando Moro, juiz federal responsável pela Operação Lava Jato, e Antônio Cesar Bochenek, juiz federal, Presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe)

São Salvador 466 anos


Bruna viola


sábado, 28 de março de 2015

Bilhete de amor e as aves migtratorias


Bilhete de amor e as aves migratórias
Maria Aparecida Torneros da Silva




Wednesday, April 23, 2008
Bilhete de amor e as aves migratórias

Em 2008 recebi este bilhete.  Vinha de Nova York.  Dizia assim....

como poderia esquecer vc?
impossivel. VC é muito especial
beijos carinhosos
estou doido para estar um pouco com vc
e te amar intensamente


Foi um amor de outono.  Uma brasileira que viajou a nova York e foi conhecer um italiano ali radicado.

Antes.  Durante meses trocamos Mensagens via internet.

Escrevi na epoca..




de muito longe, chega-me um bilhete de amor
fez-me lembrar das aves migratórias
a saudade dos lugares distantes e histórias
onde o amor se faz presente, na saudade...
meu amor me manda beijos e carinho,
tenho dele os sabores, tantas memórias,
de mim, ele guarda a loucura do amor intenso,
como as aves que buscam no universo imenso
novo aconchego e cada novo ninho,
seu bilhete de amor me resplandece,
pois se ele diz que não me esquece,
quem sou eu para deixá-lo distante?
busco voar em sua direção e vou encontrá-lo
dia desses, pousarei no seu peito arfante,
com beijos e abraços, sorrisos, vou amá-lo..
voaremos juntos pelo céu do nosso encontro,
seu bilhete de amor está a me transformar
em ave voadora, sou aquela que começa a migrar
em direção ao ninho que ele me prepara
em algum lugar desse mundo, com tanto carinho,
e meu coração, finalmente, no dele, se ampara...


Bilhete de amor e as aves migratórias
Maria Aparecida Torneros da Silva


Wednesday, April 23, 2008
Bilhete de amor e as aves migratórias


como poderia esquecer vc?
impossivel. VC é muito especial
beijos carinhosos
estou doido para estar um pouco com vc
e te amar intensamente

de muito longe, chega-me um bilhete de amor
fez-me lembrar das aves migratórias
a saudade dos lugares distantes e histórias
onde o amor se faz presente, na saudade...
meu amor me manda beijos e carinho,
tenho dele os sabores, tantas memórias,
de mim, ele guarda a loucura do amor intenso,
como as aves que buscam no universo imenso
novo aconchego e cada novo ninho,
seu bilhete de amor me resplandece,
pois se ele diz que não me esquece,
quem sou eu para deixá-lo distante?
busco voar em sua direção e vou encontrá-lo
dia desses, pousarei no seu peito arfante,
com beijos e abraços, sorrisos, vou amá-lo..
voaremos juntos pelo céu do nosso encontro,
seu bilhete de amor está a me transformar
em ave voadora, sou aquela que começa a migrar
em direção ao ninho que ele me prepara
em algum lugar desse mundo, com tanto carinho,
e meu coração, finalmente, no dele, se ampara...

Como aves que migram seguimos destinos separadas.  Mas aqueles dias são  inesquecíveis.

Aparecida Torneros



Aparecida Torneros


João Gilberto da cor do Pecado


Sao Salvador 466 anos


Blog da Cida Torneros: The Glory of Love

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Blog da Mulher Necessária: ISABEL PANTOJA...Ojo Por Ojo

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Pergunte pro seu coração


sexta-feira, 27 de março de 2015

El Amor... Carmen


"Quem cochicha rabo espicha,",uma boa legenda para a foto dos presidentes do Congresso

Blog da Mulher Necessária: eu sei que vou te amar(alcione)

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Amor perfeito


Ulysses faria hoje 93



Ulysses, unforgetable...faria hoje 93!

a foto é do meu niver, em 2006, quando eu fiz 57 anos

Revisitando "Seu" Ulysses, afinal,   o dia dele, seu aniversário.
Ha 93 anos vovó Carmen tinha seu primeiro parto de dois meninos gemeos.  Ulysses  e Murilo .
Nasceram de 7 meses em casa numa Vila na avenida Pasteur,  Urca,  Rio de Janeiro. Tao  pequenos e frágeis foram acomodados em caixas de sab


Ulysses, unforgetable...faria hoje 93!

a foto é do meu niver, em 2006, quando eu fiz 57 anos

Revisitando "Seu" Ulysses, afinal,   o dia dele, seu aniversário.
Ha 93 anos vovó Carmen tinha seu primeiro parto de dois meninos gemeos.  Ulysses  e Murilo .
Nasceram de 7 meses em casa numa Vila na avenida Pasteur,  Urca,  Rio de Janeiro. Tao  pequenos e frágeis foram acomodados em caixas de sapatos do meu avô Antonio forradas com algodao.  Era 1922. Murilo só viveu 7 dias. Papai Ulysses ganhou depois 7 irmaos e viveu 85 anos.

Deixou tantos bons exemplos que me fazem lembrar dele com felicidade.

Bem, não é nada fácil, convenhamos, porque a morte, uma separação em vida, um desaparecimento estranho, um mistério insondável, uma tentativa de explicar o destino de nós todos, é , ao mesmo tempo, o instante de valorizar o patrimônio afetivo que a vida perpetua.
Assim é com cada herói ou heroína, na história do mundo e na memória pessoal de cada um. Um pai-herói, já disseram por aí, faz a diferença, na auto-estima de qualquer criança, que mesmo ao vira adulto, não esquecerá jamais os melhores momentos de aconchego ou ensinamento.
A lição que fica é mesmo a do amor incondicional, da dedicação em forma de energia positiva, que todo Pai emite para quem saiu do seu sêmen, quem se projetou do seu gen, quem se fez criatura e lhe imita incosncientemente gestos, ou lhe herdou cacoetes, gostos, teimosias, aptidões, sensibilidades, e até perplexidades...

Não fujo à regra. Sou a filha que revisita hoje o pai "ausente" que está mais presente do que eu podia esperar, ainda bem...Ele continua a me surpreender, fazer rir e emocionar, alternando com seu jeito carinhoso, não só o meu humor, mas a minha postura diante da vida, minha necessidade de me reprogramar, diariamente, para que eu seja feliz, aliás, foi o que sempre ouvi-o repetir, todo o tempo...noutro dia meu filho disse que se tiver um filho homem vai se chama Ulysses. Eu me emocionei.

Fazia trocadilhos infames, me levava às gargalhadas, contava e recontava enredos de filmes e de livros que lera ou assistira há mais de 50 anos, e, quando eu estava ensimesmada, com meus problemas corriqueiros, ou de trabalho, ou de correria da loucura estressante que é o dia a dia, ele me rondava, como um beija-flor, me espreitava como um observante atencioso até que eu explodia em riso...
Aí, ele se mostrava realmente satisfeito...me fizera rir...
Apesar de, ultimamente, a saudade dele me levar, constantemente ao choro fácil, eu assumo que é difícil reencontrar aquele sorriso delicioso que ele me provocava, mas, em momentos mais calmos, consigo já, esboçar a alegria que vem dele, que ele me ensinou a ter, diante das pequenas coisas, dos infames trocadilhos, das canções galhofeiras, e das emoções que a música clássica lhe proporcionou.
Noutro dia, arrumando suas fitas cassetes, encontrei uma, que ele, provavelmente gravou pouco antes de partir, e , vi que o título da fita é Cidinha, como me chamava.
Curiosa, pus no aparelho de som, e um misto de sentidos me tomou dos pés à cabeça. E ouvi... tenho ouvido de vez em quando...
Ele selecionou assim:
lado A: Quiera mi quiera, Lili-ato I, Manon Lescau, atos I, II e IV, Tosca, Mme Butterfly, Soror Angelica
lado B: Soror Angelica ( final), Turandot ( Puccini), Bolero ( Ravel).
Certamente que "Seu"Ulysses não teve chance de me entregar, misturou nas suas fitas todas, mas ele sabia que um dia eu ia achar esse presente, um gesto de grande carinho seu, pois ele sabia que eu ia adorar ter uma seleção assim, para escutar durante minhas horas de escrita, como agora estou fazendo, compartilhando com tantos amigos e amigas, e , ainda por cima, revisitando o meu bom amigo, meu velho Pai, porque afinal, herdei dele, a alegria de viver e faz escrevi o texto aí embaixo, com a alegria de tê-lo tão próximo, como agora, nada mudou...

Feliz aniversário Papai!
Cidinha

Sunday, August 13, 2006
“Seu” Ulysses, meu amado Pai!

Ontem, fomos juntos à sapataria. Dei-lhe o braço, ele sentia-se trôpego, mas, no auge dos seus 84, ainda se gaba de ir ao centro da cidade sozinho, andar pelas ruas à procura dos melhores cds de música clássica que ele coleciona. Os lojistas já o conhecem pelas bandas da Av. Passos, onde ele compra o Mozart eterno, que costuma escutar, absorto, com os fones de ouvido que lhe ajudam muito depois da perda gradativa da audição. Se a gente chega no seu quarto de trabalho (chamemos assim) lá está ele. Pode ser hora do lazer, e aí vê-se o velho Ulysses, viajando no encantamento da música, ou assistindo a alguma partida de futebol na TV, ou quem sabe, rindo-se muito das palhaçadas de algum filme do Gordo e o Magro, seus preferidos.

Entretanto, como bem procurei definir, ali é lugar mesmo é de trabalho, e lá estão suas “trocentas” pastas históricas, os fichários bem cuidados, os escritos sobre contabilidades várias, as caixas de documentos arrumados impecavelmente e re-arrumados, temporariamente. Apega-se aos detalhes, muda a cor da caneta, “azul” para assuntos corriqueiros,“vermelho”, para os importantes, e lápis preto, com a borracha sempre à mão, quando o tema é provisório, o popular rascunho.

De repente, no meio das suas tarefas, me telefona: -Cidinha, onde está o comprovante do pagamento da conta de abril de 2004, da luz, da casa da rua Maxwell, a que está em obras?

- Pai, mas isso faz mais de 2 anos! E ele me responde que tem tudo arquivado, mas que está faltando exatamente essa, e não se intimida, me mandando procurar para que ele complete suas pastas de documentos.

Pode ser que esteja no quintal da casa de vila onde mora com minha mãe, com quem é casado há mais de 58 anos. Aí, ouve-se o barulho de martelos, serrotes, lixas deslizando na madeira, e, ao se chegar perto, o que se vê é um senhor magro, curvado sobre o trabalho de carpintaria, trajando, geralmente, avental e luvas, atento ao que faz, dedicado a criar uma nova mesinha, ou um banco esmerado, que só estará pronto depois de envernizado e testado seu nível, com a precisão de um artesão exigente.

Ontem, na sapataria, comprei seus presentes. Uma sandália moderna, rasteira, fácil de fechar, com velcron que possibilita o ajuste, uma vez que seus pés, agora tem inchado um pouco. Mas, também, ele gostou e ganhou de um lindo par de sapatos pretos, de amarrar, social, em estilo tradicional, que o lembra, seguramente, dos tempos em que se vestia de terno e gravata e ia para o escritório labutar, com elegância.

Levei-o de volta à casa, tentei segurar o pacote com as duas caixas de sapatos, e ele brincou: - É meu o presente, não é? Se você me deu mesmo, deixa que eu levo.

E levou, sim, todo feliz, pelas ruas do bairro, mão apoiando meu braço, falante sobre a vida, traçando planos para o resto do dia, perguntando-me se estou cuidando da minha saúde, cobrando-me ser feliz, como sempre.

Hoje, mais tarde, vou abraçá-lo, junto com meu irmão, filho e sobrinhos.

A família vai se reunir em torno do “Seu” Ulysses, que, com certeza, aproveitará para reclamar conosco sobre as taxas absurdas cobradas pelos bancos. Tema recorrente que o faz figura conhecida na mesa do gerente da sua conta bancária, quando confere cada centavo do seu extrato e descobre que a taxa de 3 ou 5 reais, foi cobrada indevidamente por duas vezes e reclama estorno imediato do que ele classifica de “roubalheira”.

Mas, no fim do ano, lá vai ele, cheio de caixinhas, geralmente de perfumes, presentear as meninas do banco, que o atendem com presteza e reverência por todo o ano.

Quanto a nós, seus filhos e netos, como não reverenciar uma criatura assim, tão especial, que até reclamando da vida, é capaz de mostrar um horizonte de felicidade, no sorriso que nos cobra.

É comum, que ele me ligue para o celular, eu , em plena atividade da loucura diária, e me diga assim: Minha boneca, liguei só para ouvir você rir, agora, já posso desligar!

Aparecida Torneros
Jornalista- RJ

(artigo de agosto de 2006. Ele faleceu em maio de 2007)
   sapatos do meu avô Antonio forradas com algodao.  Era 1922. Murilo só viveu 7 dias. Papai Ulysses ganhou depois 7 irmaos e viveu 85 anos.

Deixou tantos bons exemplos que me fazem lembrar dele com felicidade.

Bem, não é nada fácil, convenhamos, porque a morte, uma separação em vida, um desaparecimento estranho, um mistério insondável, uma tentativa de explicar o destino de nós todos, é , ao mesmo tempo, o instante de valorizar o patrimônio afetivo que a vida perpetua.
Assim é com cada herói ou heroína, na história do mundo e na memória pessoal de cada um. Um pai-herói, já disseram por aí, faz a diferença, na auto-estima de qualquer criança, que mesmo ao vira adulto, não esquecerá jamais os melhores momentos de aconchego ou ensinamento.
A lição que fica é mesmo a do amor incondicional, da dedicação em forma de energia positiva, que todo Pai emite para quem saiu do seu sêmen, quem se projetou do seu gen, quem se fez criatura e lhe imita incosncientemente gestos, ou lhe herdou cacoetes, gostos, teimosias, aptidões, sensibilidades, e até perplexidades...

Não fujo à regra. Sou a filha que revisita hoje o pai "ausente" que está mais presente do que eu podia esperar, ainda bem...Ele continua a me surpreender, fazer rir e emocionar, alternando com seu jeito carinhoso, não só o meu humor, mas a minha postura diante da vida, minha necessidade de me reprogramar, diariamente, para que eu seja feliz, aliás, foi o que sempre ouvi-o repetir, todo o tempo...noutro dia meu filho disse que se tiver um filho homem vai se chama Ulysses. Eu me emocionei.

Fazia trocadilhos infames, me levava às gargalhadas, contava e recontava enredos de filmes e de livros que lera ou assistira há mais de 50 anos, e, quando eu estava ensimesmada, com meus problemas corriqueiros, ou de trabalho, ou de correria da loucura estressante que é o dia a dia, ele me rondava, como um beija-flor, me espreitava como um observante atencioso até que eu explodia em riso...
Aí, ele se mostrava realmente satisfeito...me fizera rir...
Apesar de, ultimamente, a saudade dele me levar, constantemente ao choro fácil, eu assumo que é difícil reencontrar aquele sorriso delicioso que ele me provocava, mas, em momentos mais calmos, consigo já, esboçar a alegria que vem dele, que ele me ensinou a ter, diante das pequenas coisas, dos infames trocadilhos, das canções galhofeiras, e das emoções que a música clássica lhe proporcionou.
Noutro dia, arrumando suas fitas cassetes, encontrei uma, que ele, provavelmente gravou pouco antes de partir, e , vi que o título da fita é Cidinha, como me chamava.
Curiosa, pus no aparelho de som, e um misto de sentidos me tomou dos pés à cabeça. E ouvi... tenho ouvido de vez em quando...
Ele selecionou assim:
lado A: Quiera mi quiera, Lili-ato I, Manon Lescau, atos I, II e IV, Tosca, Mme Butterfly, Soror Angelica
lado B: Soror Angelica ( final), Turandot ( Puccini), Bolero ( Ravel).
Certamente que "Seu"Ulysses não teve chance de me entregar, misturou nas suas fitas todas, mas ele sabia que um dia eu ia achar esse presente, um gesto de grande carinho seu, pois ele sabia que eu ia adorar ter uma seleção assim, para escutar durante minhas horas de escrita, como agora estou fazendo, compartilhando com tantos amigos e amigas, e , ainda por cima, revisitando o meu bom amigo, meu velho Pai, porque afinal, herdei dele, a alegria de viver e faz escrevi o texto aí embaixo, com a alegria de tê-lo tão próximo, como agora, nada mudou...

Feliz aniversário Papai!
Cidinha

Sunday, August 13, 2006
“Seu” Ulysses, meu amado Pai!

Ontem, fomos juntos à sapataria. Dei-lhe o braço, ele sentia-se trôpego, mas, no auge dos seus 84, ainda se gaba de ir ao centro da cidade sozinho, andar pelas ruas à procura dos melhores cds de música clássica que ele coleciona. Os lojistas já o conhecem pelas bandas da Av. Passos, onde ele compra o Mozart eterno, que costuma escutar, absorto, com os fones de ouvido que lhe ajudam muito depois da perda gradativa da audição. Se a gente chega no seu quarto de trabalho (chamemos assim) lá está ele. Pode ser hora do lazer, e aí vê-se o velho Ulysses, viajando no encantamento da música, ou assistindo a alguma partida de futebol na TV, ou quem sabe, rindo-se muito das palhaçadas de algum filme do Gordo e o Magro, seus preferidos.

Entretanto, como bem procurei definir, ali é lugar mesmo é de trabalho, e lá estão suas “trocentas” pastas históricas, os fichários bem cuidados, os escritos sobre contabilidades várias, as caixas de documentos arrumados impecavelmente e re-arrumados, temporariamente. Apega-se aos detalhes, muda a cor da caneta, “azul” para assuntos corriqueiros,“vermelho”, para os importantes, e lápis preto, com a borracha sempre à mão, quando o tema é provisório, o popular rascunho.

De repente, no meio das suas tarefas, me telefona: -Cidinha, onde está o comprovante do pagamento da conta de abril de 2004, da luz, da casa da rua Maxwell, a que está em obras?

- Pai, mas isso faz mais de 2 anos! E ele me responde que tem tudo arquivado, mas que está faltando exatamente essa, e não se intimida, me mandando procurar para que ele complete suas pastas de documentos.

Pode ser que esteja no quintal da casa de vila onde mora com minha mãe, com quem é casado há mais de 58 anos. Aí, ouve-se o barulho de martelos, serrotes, lixas deslizando na madeira, e, ao se chegar perto, o que se vê é um senhor magro, curvado sobre o trabalho de carpintaria, trajando, geralmente, avental e luvas, atento ao que faz, dedicado a criar uma nova mesinha, ou um banco esmerado, que só estará pronto depois de envernizado e testado seu nível, com a precisão de um artesão exigente.

Ontem, na sapataria, comprei seus presentes. Uma sandália moderna, rasteira, fácil de fechar, com velcron que possibilita o ajuste, uma vez que seus pés, agora tem inchado um pouco. Mas, também, ele gostou e ganhou de um lindo par de sapatos pretos, de amarrar, social, em estilo tradicional, que o lembra, seguramente, dos tempos em que se vestia de terno e gravata e ia para o escritório labutar, com elegância.

Levei-o de volta à casa, tentei segurar o pacote com as duas caixas de sapatos, e ele brincou: - É meu o presente, não é? Se você me deu mesmo, deixa que eu levo.

E levou, sim, todo feliz, pelas ruas do bairro, mão apoiando meu braço, falante sobre a vida, traçando planos para o resto do dia, perguntando-me se estou cuidando da minha saúde, cobrando-me ser feliz, como sempre.

Hoje, mais tarde, vou abraçá-lo, junto com meu irmão, filho e sobrinhos.

A família vai se reunir em torno do “Seu” Ulysses, que, com certeza, aproveitará para reclamar conosco sobre as taxas absurdas cobradas pelos bancos. Tema recorrente que o faz figura conhecida na mesa do gerente da sua conta bancária, quando confere cada centavo do seu extrato e descobre que a taxa de 3 ou 5 reais, foi cobrada indevidamente por duas vezes e reclama estorno imediato do que ele classifica de “roubalheira”.

Mas, no fim do ano, lá vai ele, cheio de caixinhas, geralmente de perfumes, presentear as meninas do banco, que o atendem com presteza e reverência por todo o ano.

Quanto a nós, seus filhos e netos, como não reverenciar uma criatura assim, tão especial, que até reclamando da vida, é capaz de mostrar um horizonte de felicidade, no sorriso que nos cobra.

É comum, que ele me ligue para o celular, eu , em plena atividade da loucura diária, e me diga assim: Minha boneca, liguei só para ouvir você rir, agora, já posso desligar!

Aparecida Torneros
Jornalista- RJ

(artigo de agosto de 2006. Ele faleceu em maio de 2007)
   


Copiloto escondeu atestado médico


Copiloto escondeu atestado médico de dispensa de trabalho, diz promotoria



O copiloto da Germanwings, que supostamente jogou de forma proposital o Airbus A320 nos Alpes franceses, esteve seis meses sob tratamento psiquiátrico antes de completar sua formação, afirmou nesta sexta-feira o jornal alemão "Bild" e teria escondido que estava de licença devido a uma doença no dia da tragédia, anunciou a procuradoria de Dusseldorf, segundo a agência AFP.

A procuradoria de Düsseldorf informou nesta sexta-feira que o copiloto tinha recebido um atestado médico de dispensa por doença, vigente para o dia da catástrofe, que não respeitou e ocultou da companhia. Na Alemanha, o fornecimento de atestados do tipo são comuns.

O porta-voz da procuradoria disse num comunicado escrito que um atestado médico rasgado com data do dia do acidente 'apontam na mesma direção das suspeitas iniciais de que o copiloto escondeu sua condição médica de seu empregador e colegas'.

Fontes da promotoria negaram,
por outro lado, que nas revistas realizadas em suas casas tenha sido encontrada uma carta de despedida, "nem indícios que apontem para um cenário político ou religioso".

Os investigadores encontraram na residência de Andreas Lubitz atestados de licença médica detalhados, que o copiloto teria rasgado e que correspondiam ao dia dos fatos, terça-feira passada, informou a procuradoria em um comunicado, sem revelar a doença da qual ele recebia tratamento.

De acordo com o jornal, que cita como fontes "círculos da Lufthansa", as razões pelas quais Lubitz, de 27 anos, interrompeu sua formação, em 2009, se deveram a uma grave depressão diagnosticada nesta época. O 'Bild' também informa que Lubitz teria terminado uma relação com sua noiva semanas antes do acidente e que passava uma situação emocional delicada.

A edição digital da revista "Der Spiegel" afirma, além disso, que nas operações realizadas ontem durante horas nas duas casas do copiloto - a de seus pais e a própria, em Düsseldorf - foram apreendidos materiais que respaldam a tese dos transtornos psíquicos.

A revista não apresenta, no entanto, mais detalhes sobre os materiais apreendidos.

O "grave episódio depressivo" a que se refere o "Bild" ficou constatado, segundo o jornal, na ata sobre o copiloto do departamento de tráfego aéreo alemão sob o código "SIC", que se refere à necessidade de que sujeito em questão se submeta a "revisões médicas regulares".

Vizinhos, contudo, descrevem o copiloto como algué, "extremamente saudável"

"Ele não fumava e se cuidava muito. Sempre corria e acho até que participava de maratonas", disse Johannes Rossmann, uma vizinha sua em Montabaur, cidade próxima a Koblenz, na Alemanha.

A mídia alemã tem descrito Lubitz como um homem depressivo, que estava sob tratamento psiquiátrico, mas a procuradoria se recusa a dar mais informações citando confidencialidade médica.

O fato de que o copiloto que causou a catástrofe aérea tenha interrompido durante um período relativamente longo sua formação na escola aérea da Lufthansa foi reconhecido ontem pelo presidente da companhia, Carsten Spohr.

Lubitz começou sua aprendizagem aos 14 anos em um clube de aviação local e ingressou na escola de Brêmen da Lufthansa em 2007. ele tinha uma licença de terceira classe expedida pelas autoridades americanas para voar. Tal autorização é concedida somente a pilottos comprovadamente livres de problemas psiquiátricos como psicose, bipolaridade e distúrbios de personalidade.

Em 2009 interrompeu por alguns meses essa formação, que retomou posteriormente até ingressar na Germanwings, filial de baixo custo da Lufthansa, em 2013.

Spohr reforçou ontem que, tanto ao ingressar na escola como ao retomar e completar sua instrução, Lubitz passou pelos mais rigorosos exames, tanto físicos como mentais.

Leia também:

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Rosa


Blog da Mulher Necessária: Bruxas sábias

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Homenagem as vítimas do avião alemão que se desintegrou nos Alpes franceses


Autoridades francesas dizem que copiloto derrubou avião



Autoridadades francesas dizem que copiloto derrubou avião

Co-piloto ficou consciente e em silêncio trancado na cabine de comando até o momento do impacto

A Promotoria de Marselha afirmou que o copiloto alemão do voo da Germanwings que caiu nos Alpes franceses se trancou na cabine e voluntariamente fez o avião perder altitude até bater em uma rocha e se chocar contra uma montanha.
Segundo o promotor Brice Robin, as gravações de uma das caixas-pretas do voo revelaram que em determinado momento do voo o piloto deixou o cockpit do avião para ir ao banheiro. Naquele momento, o copiloto, de nacionalidade alemã, se trancou sozinho na cabine de comando.
Leia mais: Piloto de avião que caiu estava trancado fora de cabine, diz jornal
Ele então alterou o sistema de orientação do avião para iniciar a descida. O piloto bateu na porta da cabine para voltar, mas o copiloto permaneceu em silêncio.
"Eu penso que voluntariamente ele se recusou a abrir a porta e apertou o botão para o avião descer", disse Robin.
O promotor disse acreditar que o copiloto, identificado como Andreas Lubitz, cometeu suicídio.
O Airbus 320, que fazia o voo entre Barcelona e Duesseldorf, atingiu uma montanha na terça-feira após cair por 8 minutos. Todos os 150 passageiros e tripulantes morreram.
Gravações
Segundo Robin, as gravações das comunicações dentro da cabine de comando registradas na caixa-preta mostram que o piloto e seu copiloto conversaram de forma normal no início do voo.
Depois que o avião atingiu a altura e a velocidade estabelecidas para a rota, o piloto revisou em voz alta os procedimentos de aproximação e pouso em Duesseldorf.
As gravações indicam que o copiloto respondeu aos questionamentos do comandante de forma "lacônica", segundo Robin.

Promotoria francesa diz que co-piloto pode ter cometido suicídio
Segundo ele, foi possível então ouvir o barulho da cadeira no momento em que o piloto se levantou para sair da cabine de comando e ir ao banheiro. O copiloto não abriu a porta da cabine para que ele retornasse.
"Naquele momento, o copiloto estava no controle do avião. Enquanto estava sozinho, ele apertou os botões do sistema de monitoramento de voo para iniciar a descida do avião. Essa atitude nos controles de altitude só pode ter sido deliberada".
Leia mais: Acidente aéreo nos Alpes: quem eram as vítimas?
"Ele apertou o botão por um motivo que ainda não sabemos, mas aparentemente o objetivo era destruir o avião", disse Robin.
Depois que a aeronave começou a descer em alta velocidade, as gravações registraram o barulho do piloto batendo na porta da cabine com mais força e pedindo que a porta fosse aberta por meio de um alto-falante.
Os registros indicam que aparentemente Lubitz não respondeu aos chamados, ficando em silêncio absoluto por cerca de oito minutos.
As gravações registraram em seguida membros do controle aéreo e pilotos de outros aviões fazendo contato pelo rádio – sem receber resposta.
O som registrado mostrou então que o piloto tentou arrombar a porta - sem sucesso, pois o cockpit tem mecanismos para evitar invasões.
Leia mais: Acidente pode obrigar Lufthansa a rever estratégia de baixo custo
Em seguida, foi possível ouvir gritos de passageiros e o barulho dos alarmes do avião indicando a aproximação do solo.
Os investigadores conseguiram ouvir a respiração do copiloto até o momento do impacto – o que indica que ele estava vivo e consciente.

Motivações

Lubitz não possuía histórico de ligações com extremistas e apenas 630 horas de voo
Robin disse que ainda não se sabe o que motivou as atitudes do copiloto. Até o momento ele era descrito como "normal".
Autoridades alemãs disseram que Lubitz não possuía histórico de ligações com extremistas.
Leia mais: Avião foi 'pulverizado' e resgate pode levar uma semana, dizem autoridades
A Promotoria francesa informou que até agora também não há indícios de que seu comportamento tivesse alguma motivação religiosa ou estivesse ligado a problemas mentais.
O copiloto tinha pouca experiência - cerca de 630 horas de voo.
Questionado se acreditava que Lubitz cometeu suicídio, o promotor disse que não poderia classificar as atitudes do copiloto como suicídio, pois ele tinha em suas mãos as vidas de 150 pessoas.
Leia mais: Modelo de avião que caiu na França é conhecido por eficiência; conheça outros acidentes com o A320
Enquanto isso, familiares e amigos das vítimas estão a caminho de visitar o local da queda.
A Lufthansa, dona da Germanwings, organizou dois voos para Marselha, de onde os parentes seguirão para o local da queda de onibus.



Nada além de uma ilusão


terça-feira, 24 de março de 2015

Nada além de uma linda ilusão


GAL COSTA - NADA ALÉM: http://youtu.be/YMundL3rpp0

Esta canção resume a vida acho isso. Comecei a ouvi-lá quando era menina e meu pai escutava na voz do Orlando Silva. Custei  a entender o sentido profundo dela  mas fui assimilando ao longo do tempo. Creio que a ilusão é o resumo da nossa passagem no planeta nesta curta existência.
E gostamos de nos iludir na verdade. Funciona como um anestésico. Durante o tempo que dura cada ilusão entramos noutra dimensão e uma leveza saudável toma conta das nossas ansiedades. O mundo parece melhor e perfeito. A natureza mais exuberante e o amor parece verdadeiro e eterno.
Minha fase não tem sido das melhores mas ainda busco ilusões. Ou melhor, elas me acham. Trazem olhares de carinho. De repente mãos seguram as minhas e bocas as beijam quando menos espero. Ouço frases de elogio. Iludo-me conscientemente porque me faz bem de certo modo. Mesmo que depois me decepcione e siga. Faz parte do meu caminho.

Desperta-me desejo e sonho. Alvoroçado meu fio de hormônio denuncia que volto a ser adolescente. Curiosamente tudo acontece sem planejamento. A surpresa da nova e linda ilusão. Aos 65 é privilégio. Sei disso. E curto embora sofra um pouquinho por aceitar que passa.

Entretanto fica em mim muito além da ilusão a certeza de que o amor é mistério e bênção.

A ilusão dele me renova apesar de tudo. E você me surpreendeu mesmo.
Obrigada.
Cida Torneros

Merkel chocada



Merkel "chocada" com desastre aéreo. "Estamos a passar horas difíceis"
Avião da low cost Germanwings caiu nos Alpes franceses. Morreram todas as pessoas que seguiam a bordo.

Depois de se ter declarado chocada com o acidente aéreo que vitimou 150 pessoas, Angela Merkel anunciou a visita ao local onde caiu o A320 da Germanwings, nos Alpes franceses. A visita está marcada para esta quarta-feira.

"Estamos a passar horas difíceis", desabafou a chanceler alemã numa conferência de imprensa marcada espontaneamente , enquanto expressava as condolências às famílias das vítimas do acidente do avião da Germanwings, subsidiária da Lufthansa.

Segundo a chanceler, vários alemães estão entre as vítimas e a suas preocupações dirigem-se também aos "seus familiares e amigos".

Tragédia na queda de avião alemão



Airbus A320 da Germanwings na rota Barcelona-Dusseldorf cai nos Alpes franceses e faz 150 mortos

DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA.
Um Airbus A320 da companhia aérea Germanwings caiu esta manhã no sul de França, com 150 pessoas a bordo – 144 passageiros e seis tripulantes. Não há sobreviventes do desastre, o mais grave na União Europeia desde 2008. O avião seguia de Barcelona (Espanha) para Dusseldorf (Alemanha). O secretário de Estado dos Transportes francês Alain Vidalies, tinha referido esta manhã que houvera um pedido de socorro do avião, pelas 10.47, hora francesa. O “mayday” teria mostrado que o avião estava a 5000 pés, numa situação anormal”, tendo caído pouco depois. Mas a Direção-Geral da Aviação Civil veio agora desmentir o secretário de Estado, esclarecendo que não houve qualquer pedido de socorro do comandante.
Antes, o presidente francês François Hollande já tinha dito que as condições em que ocorrera o acidente tornavam difícil acreditar que houvesse sobreviventes. Segundo o Le Monde, o chefe de Estado francês está em contacto com a chanceler alemã e o rei de Espanha, que entretanto suspendeu a visita de Estado a França. O príncipe Filipe VI regressa ainda hoje a Espanha, tendo cancelado a visita oficial de três dias a Paris. Segundo François Hollande, as equipEs de resgate só conseguirão chegar ao local do desastre daqui a algumas horas, devido ao terreno acidentado.
Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse ao DN que já acionou todos os meios para averiguar se há portugueses no voo mas, até ao momento, não há informação disponível. O correspondente do El País em França, Carlos Yárnoz, escreveu no Twitter que o governo francês já informou o rei Felipe VI que viajavam a bordo do Airbus da Germanwings 42 espanhóis.

Lang Lang


segunda-feira, 23 de março de 2015

As veces llegan cartas


A Veces Llegan Cartas (tradução) / Julio Iglesias


A Veces Llegan Cartas (tradução)
Julio Iglesias

Vídeos
[A Veces Llegan Cartas]

A veces llegan cartas con sabor amargo, con sabor a lágrimas
A veces llegan cartas con olor a espinas que no son românticas
Son cartas que te dicen que al estar tan lejos todo es diferente
Son cartas que te hablan de que en la distancia el amor se muere
A veces llegan cartas que te hieren dentro, dentro de tu alma

A veces llegan cartas con sabor a gloria, llenas de esperanza
A veces llegan cartas con olor a rosas que sí, son fantásticas
Son cartas que te dicen que regreses pronto, que desean verte
Son cartas que te hablan de que en la distancia el cariño crece
A veces llegan cartas que te dan la vida, que te dan la calma

Lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará, larala
Lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará, larala
Son cartas que te dicen que regreses pronto, que desean verte
Son cartas que te hablan de que en la distancia el cariño crece
A veces llegan cartas que te dan la vida, que te dan la calma[Às vezes as letras chegar]

A vezes llegan cartas com sabor amargo, com sabor a lágrimas
A vezes llegan cartas com odor a espinhas que o som romântico
são cartas que te dizem que ao estar tão lejos tudo é diferente
são cartas que se Habla de que a distância ele amor se muero
A vezes llegan cartas que te hier dentro, dentro de tu alma

A vezes llegan cartas com sabor a glória, llenas de esperança
A vezes llegan cartas com cheiro a rosas que sim, são fantásticas
são cartas que te dizem que regresse em breve, que desse derramado
são cartas que se Habla de que a distância ele carinho cresce
A vezes llegan cartas que te dão a vida, que te dão a calma

Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, larala
Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, Lara, larala
são cartas que te dizem que regresse em breve, que desse derramado
são cartas que se Habla de que a distância ele carinho cresce
A vezes llegan cartas que te dão a vida, que te dão a calma

Blog da Mulher Necessária: Dalida: Salma Ya Salama - with pictures from Tunisia

Blog da Mulher Necessária: Dalida: Salma Ya Salama - with pictures from Tunisia

Blog da Mulher Necessária: Chico Xavier na voz de Moacir Franco.

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Maysa hino ao amor


O ver the raimbow


Noam Chomsky estamos a beira da auto-destruição?



Noam Chomsky: estamos à beira da total auto-destruição?
Existem mais processos de longo prazo apontando na direção, talvez não da destruição total, mas ao menos da destruição da capacidade de uma vida decente.

Noam Chomsky

O que o futuro trará? Uma postura razoável seria tentar olhar para a espécie humana de fora. Então imagine que você é um extraterrestre observador que está tentando desvendar o que acontece aqui ou, imagine que és um historiador daqui a 100 anos - assumindo que existam historiadores em 100 anos, o que não é óbvio - e você está olhando para o que acontece. Você veria algo impressionante.

Pela primeira vez na história da espécie humana, desenvolvemos claramente a capacidade de nos destruirmos. Isso é verdade desde 1945. Agora está finalmente sendo reconhecido que existem mais processos de longo-prazo como a destruição ambiental liderando na mesma direção, talvez não à destruição total, mas ao menos à destruição da capacidade de uma existência decente.

E existem outros perigos como pandemias, as quais estão relacionadas à globalização e interação. Então, existem processos em curso e instituições em vigor, como sistemas de armas nucleares, os quais podem levar à explosão ou talvez, extermínio, da existência organizada.

Como destruir o planeta sem tentar muito

A pergunta é: O que as pessoas estão fazendo a respeito? Nada disso é segredo. Está tudo perfeitamente aberto. De fato, você tem que fazer um esforço para não enxergar.

Houveram uma gama de reações. Têm aqueles que estão tentando ao máximo fazer algo em relação à essas ameaças, e outros que estão agindo para aumentá-las. Se olhar para quem são, esse historiador futurista ou extraterrestre observador veriam algo estranho. As sociedades menos desenvolvidas, incluindo povos indígenas, ou seus remanescentes, sociedades tribais e as primeiras nações do Canadá, que estão tentando mitigar ou superar essas ameaças. Não estão falando sobre guerra nuclear, mas sim desastre ambiental, e estão realmente tentando fazer algo a respeito.

De fato, ao redor do mundo - Austrália, Índia, América do Sul - existem batalhas acontecendo, às vezes guerras. Na Índia, é uma guerra enorme sobre a destruição ambiental direta, com sociedades tribais tentando resistir às operações de extração de recursos que são extremamente prejudiciais localmente, mas também em suas consequências gerais. Em sociedades onde as populações indígenas têm influência, muitos tomam uma posição forte. O mais forte dos países em relação ao aquecimento global é a Bolívia, cuja maioria é indígena e requisitos constitucionais protegem os “direitos da natureza”.

O Equador, o qual também tem uma população indígena ampla, é o único exportador de petróleo que conheço onde o governo está procurando auxílio para ajudar a manter o petróleo no solo, ao invés de produzi-lo e exportá-lo - e no solo é onde deveria estar.

O presidente Venezuelano Hugo Chávez, que morreu recentemente e foi objeto de gozação, insulto e ódio ao redor do mundo ocidental, atendeu a uma sessão da Assembléia Geral da ONU a poucos anos atrás onde ele suscitou todo tipo de ridículo ao chamar George W. Bush de demônio. Ele também concedeu um discurso que foi interessante. Claro, Venezuela é uma grande produtora de petróleo. O petróleo é praticamente todo seu PIB. Naquele discurso, ele alertou dos perigos do sobreuso dos combustíveis fóssil e sugeriu aos países produtores e consumidores que se juntassem para tentar manejar formas de diminuir o uso desses combustíveis. Isso foi bem impressionante da parte de um produtor de petróleo. Você sabe, ele era parte índio, com passado indígena. Esse aspecto de suas ações na ONU nunca foi reportado, diferentemente das coisas engraçadas que fez.

Então, em um extremo têm-se os indígenas, sociedades tribais tentando amenizar a corrida ao desastre. No outro extremo, as sociedades mais ricas, poderosas na história da humanidade, como os EUA e o Canadá, que estão correndo em velocidade máxima para destruir o meio ambiente o mais rápido possível. Diferentemente do Equador e das sociedades indígenas ao redor do mundo, eles querem extrair cada gota de hidrocarbonetos do solo com toda velocidade possível.

Ambos partidos políticos, o presidente Obama, a mídia, e a imprensa internacional parecem estar olhando adiante com grande entusiasmo para o que eles chamam de “um século de independência energética” para os EUA. Independência energética é quase um conceito sem significado, mas botamos isso de lado. O que eles querem dizer é: teremos um século no qual maximizaremos o uso de combustíveis fóssil e contribuiremos para a destruição do planeta.

E esse é basicamente o caso em todo lugar. Admitidamente, quando se trata de desenvolvimento de energia alternativa, a Europa está fazendo alguma coisa. Enquanto isso, os EUA, o mais rico e poderoso país de toda a história do mundo, é a única nação dentre talvez 100 relevantes que não possui uma política nacional para a restrição do uso de combustíveis fóssil, e que nem ao menos mira na energia renovável. Não é por que a população não quer. Os americanos estão bem próximos da norma internacional com sua preocupação com o aquecimento global. Suas estruturas institucionais que bloqueiam a mudança. Os interesses comerciais não aceitam e são poderosos em determinar políticas, então temos um grande vão entre opinião e política em muitas questões, incluindo esta. Então, é isso que o historiador do futuro veria. Ele também pode ler os jornais científicos de hoje. Cada um que você abre tem uma predição mais horrível que a outra.

“O momento mais perigoso na história”

A outra questão é a guerra nuclear. É sabido por um bom tempo, que se tivesse que haver uma primeira tacada por uma super potência, mesmo sem retaliação, provavelmente destruiria a civilização somente por causa das consequências de um inverno-nuclear que se seguiria. Você pode ler sobre isso no Boletim de Cientistas Atômicos. É bem compreendido. Então o perigo sempre foi muito pior do que achávamos que fosse.

Acabamos de passar pelo 50o aniversário da Crise dos Mísseis Cubanos, a qual foi chamada de “o momento mais perigoso na história” pelo historiador Arthur Schlesinger, o conselheiro do presidente John F. Kennedy. E foi. Foi uma chamada bem próxima do fim, e não foi a única vez tampouco. De algumas formas, no entanto, o pior aspecto desses eventos é que a lições não foram aprendidas.

O que aconteceu na crise dos mísseis em outubro de 1962 foi petrificado para parecer que atos de coragem e reflexão eram abundantes. A verdade é que todo o episódio foi quase insano. Houve um ponto, enquanto a crise chegava em seu pico, que o Premier Soviético Nikita Khrushchev escreveu para Kennedy oferecendo resolver a questão com um anuncio publico de retirada dos mísseis russos de Cuba e dos mísseis americanos da Turquia. Na realidade, Kennedy nem sabia que os EUA possuíam mísseis na Turquia na época. Estavam sendo retirados de todo modo, porque estavam sendo substituídos por submarinos nucleares mais letais, e que eram invulneráveis.

Então essa era a proposta. Kennedy e seus conselheiros consideraram-na - e a rejeitaram. Na época, o próprio Kennedy estimava a possibilidade de uma guerra nuclear em um terço da metade. Então Kennedy estava disposto a aceitar um risco muito alto de destruição em massa afim de estabelecer o princípio de que nós - e somente nós - temos o direito de deter mísseis ofensivos além de nossas fronteiras, na realidade em qualquer lugar que quisermos, sem importar o risco aos outros - e a nós mesmos, se tudo sair do controle. Temos esse direito, mas ninguém mais o detém.

No entanto, Kennedy aceitou um acordo secreto para a retirada dos mísseis que os EUA já estavam retirando, somente se nunca fosse à publico. Khrushchev, em outras palavras, teve que retirar abertamente os mísseis russos enquanto os EUA secretamente retiraram seus obsoletos; isto é, Khrushchev teve que ser humilhado e Kennedy manteve sua pose de macho. Ele é altamente elogiado por isso: coragem e popularidade sob ameaça, e por aí vai. O horror de suas decisões não é nem mencionado - tente achar nos arquivos.

E para somar um pouco mais, poucos meses antes da crise estourar os EUA haviam mandado mísseis com ogivas nucleares para Okinawa. Eram mirados na China durante um período de grande tensão regional.

Bom, quem liga? Temos o direito de fazer o que quisermos em qualquer lugar do mundo. Essa foi uma lição daquela época, mas haviam outras por vir.

Dez anos depois disso, em 1973, o secretário de estado Henry Kissinger chamou um alerta vermelho nuclear. Era seu modo de avisar à Rússia para não interferir na constante guerra Israel-Árabes e, em particular, não interferir depois de terem informado aos israelenses que poderiam violar o cessar fogo que os EUA e a Rússia haviam concordado. Felizmente, nada aconteceu.

Dez anos depois, o presidente em vigor era Ronald Reagan. Assim que entrou na Casa Branca, ele e seus conselheiros fizeram com que a Força Aérea começasse a entrar no espaço aéreo Russo para tentar levantar informações sobre os sistemas de alerta russos, Operação Able Archer. Essencialmente, eram ataques falsos. Os Russos estavam incertos, alguns oficiais de alta patente acreditavam que seria o primeiro passo para um ataque real. Felizmente, eles não reagiram, mesmo sendo uma chamada estreita. E continua assim.

O que pensar das crises nucleares Iraniana e Norte-Coreana

No momento, a questão nuclear está regularmente nas capas nos casos do Irã e da Coréia do Norte. Existem jeitos de lidar com esse crise contínua. Talvez não funcionasse, mas ao menos tentaria. No entanto, não estão nem sendo consideradas, nem reportadas.

Tome o caso do Irã, que é considerado no ocidente - não no mundo árabe, não na Ásia - a maior ameaça à paz mundial. É uma obsessão ocidental, e é interessante investigar as razões disso, mas deixarei isso de lado. Há um jeito de lidar com a suposta maior ameaça à paz mundial? Na realidade existem várias. Uma forma, bastante sensível, foi proposta alguns meses atrás em uma reunião dos países não alinhados em Teerã. De fato, estavam apenas reiterando uma proposta que esteve circulando por décadas, pressionada particularmente pelo Egito, e que foi aprovada pela Assembléia Geral da ONU.

A proposta é mover em direção ao estabelecimento de uma zona sem armas nucleares na região. Essa não seria a resposta para tudo, mas seria um grande passo à frente. E haviam modos de proceder. Sob o patrocínio da ONU, houve uma conferência internacional na Finlândia dezembro passado para tentar implementar planos nesta trajetória. O que aconteceu? Você não lerá sobre isso nos jornais pois não foi divulgado - somente em jornais especialistas.

No início de novembro, o Irã concordou em comparecer à reunião. Alguns dias depois Obama cancelou a reunião, dizendo que a hora não estava correta. O Parlamento Europeu divulgou uma declaração pedindo que continuasse, assim como os estados árabes. Nada resultou. Então moveremos em direção a sanções mais rígidas contra a população Iraniana - não prejudica o regime - e talvez guerra. Quem sabe o que irá acontecer?

No nordeste da Ásia, é a mesma coisa. A Coréia do Norte pode ser o país mais louco do mundo. É certamente um bom competidor para o título. Mas faz sentido tentar adivinhar o que se passa pela cabeça alheia quando estão agindo feito loucos. Por que se comportariam assim? Nos imagine na situação deles. Imagine o que significou na Guerra da Coréia anos dos 1950’s o seu país ser totalmente nivelado, tudo destruído por uma enorme super potência, a qual estava regozijando sobre o que estava fazendo. Imagine a marca que deixaria para trás.

Tenha em mente que a liderança Norte Coreana possivelmente leu os jornais públicos militares desta super potência na época explicando que, uma vez que todo o resto da Coréia do Norte foi destruído, a força aérea foi enviada para a Coréia do Norte para destruir suas represas, enormes represas que controlavam o fornecimento de água - um crime de guerra, pelo qual pessoas foram enforcadas em Nuremberg. E esses jornais oficiais falavam excitadamente sobre como foi maravilhoso ver a água se esvaindo, e os asiáticos correndo e tentando sobreviver. Os jornais exaltavam com algo que para os asiáticos fora horrores para além da imaginação. Significou a destruição de sua colheita de arroz, o que resultou em fome e morte. Quão maravilhoso! Não está na nossa memória, mas está na deles.

Voltemos ao presente. Há uma história recente interessante. Em 1993, Israel e Coréia do Norte se moviam em direção a um acordo no qual a Coréia do Norte pararia de enviar quaisquer mísseis ou tecnologia militar para o Oriente Médio e Israel reconheceria seu país. O presidente Clinton interveio e bloqueou. Pouco depois disso, em retaliação, a Coréia do Norte promoveu um teste de mísseis pequeno. Os EUA e a Coréia do Norte chegaram então a um acordo em 1994 que interrompeu seu trabalho nuclear e foi mais ou menos honrado pelos dois lados. Quando George W. Bush tomou posse, a Coréia do Norte tinha talvez uma arma nuclear e verificadamente não produzia mais.

Bush imediatamente lançou seu militarismo agressivo, ameaçando a Coréia do Norte - “machado do mal” e tudo isso - então a Coréia do Norte voltou a trabalhar com seu programa nuclear. Na época que Bush deixou a Casa Branca, tinham de 8 a 10 armas nucleares e um sistema de mísseis, outra grande conquista neoconservadora. No meio, outras coisas aconteceram. Em 2005, os EUA e a Coréia do Norte realmente chegaram a um acordo no qual a Coréia do Norte teria que terminar com todo seu desenvolvimento nuclear e de mísseis. Em troca, o ocidente, mas principalmente os EUA, forneceria um reator de água natural para suas necessidades medicinais e pararia com declarações agressivas. Eles então formariam um pacto de não agressão e caminhariam em direção ao conforto.

Era muito promissor, mas quase imediatamente Bush menosprezou. Retirou a oferta do reator de água natural e iniciou programas para compelir bancos a pararem de manejar qualquer transação Norte Coreana, até mesmo as legais. Os Norte Coreanos reagiram revivendo seu programa de armas nuclear. E esse é o modo que se segue.

É bem sabido. Pode-se ler na cultura americana principal. O que dizem é: é um regime bem louco, mas também segue uma política do olho por olho, dente por dente. Você faz um gesto hostil e responderemos com um gesto louco nosso. Você faz um gesto confortável e responderemos da mesma forma.

Ultimamente, por exemplo, existem exercícios militares Sul Coreanos-Americanos na península Coreana a qual, do ponto de vista do Norte, tem que parecer ameaçador. Pensaríamos que estão nos ameaçando se estivessem indo ao Canadá e mirando ...

TEXTO COMPLETO NESTE ENDEREÇO:
CARLOS - Professor de Geografia: Noam Chomsky: estamos à beira da total auto-destruição?

Ps: EU e Noam Chomsky.  Conheci seus livros e textos no início  dos anos 70. Em 74 quando iniciei o Mestrado em Comunicação na UFRJ dissequei suas teorias da epoca.  Competencia e desempenho linguistico  me fascinaram. Também o fato de ele incentivar a alunos  a desertarem  e não participarem da guerra do Viertnam me fez virar sua fa. Hoje,  ele como cientista  merece respeito e atenção. Há  40 anos esse homem está  atento a uma humanidade tão perdida.  Cida Torneros


domingo, 22 de março de 2015

Time to Say goodbye


Girassol


Alo domingo da Agua e da Gestão ambiental!



Esta foto tem 10 anos.  Recebi o diploma do MBA em gestão Ambiental depois de cursar a escola de pos graduação  da UFRJ dirigida pelo professor Haroldol de Mattos. 
Confesso que foram estudos e viagens que incluiram pesquisas e decepções  diante de um futuro inospito para o Planeta  Terra.  Eu tinha 55 anos.  Trabalhava   na Secretaria Estadual do Meio Ambiente  cujo secretário era o Arquiteto Luiz Paulo Conde. Estava lotada na SERLA - SUPERINTENDENCIA Estadual  de rios e Lagoas. 
Desânimo  diante de tantos problemas e a sensação  de impotencia ao perceber a  degradacao dos nossos recursos hidricos  e a total falta de consciencia da maior parte da população para a finitude da Agua potavel.
Trabalhavamos  enxugando gelo. Invasão das margens e suas faixas de protecao era comum  com aquiescencia dos prefeitos e vereadores que queriam votos. Enchentes e tragedias anunciadas  repetitivas e os professores doutores  que alertavam para 2050 quando acabaria  a agua no mundo. Em lugar da guerra do Petróleo teriamos a guerra da Agua. 
Bem eu so consegui trabalhar mais 5 anos e me aposentei.
Hoje eh o dia mundial da Agua. Será que há   esperança de mudar o quadro e a humanidade gerir seu meio ambiente com amor e respeito? 
Na foto vejo uma mulher que acreditava- eu. Daqui a 10 anos gostaria de rever esta foto e comemorar a volta por CIMA que a Terra pode dar se os terraqueos decidirem. 
Gestão Ambiental  e amor ao Planeta.  Agua potavel para todos e sem guerra.  Vou sonhar. 

Maria Aparecida  Torneros 

sábado, 21 de março de 2015

Sábado em Copacabana


Lya luft




Lya Luft
Lya Fett Luft (1938) é uma romancista, poetisa e tradutora brasileira. É também professora universitária e colunista da revista semanal Veja. [Biografia de Lya Luft]

Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização
Lya Luft

Não queremos perder, nem deveríamos perder:...
Perder, dói! Não adianta dizer NÃO SOFRA, NÃO CHORE; só não podemos ficar parados no tempo chorando nossa dor diante das nossas percas.
Lya Luft

Perder, dói! Não adianta dizer NÃO SOFRA, NÃO...
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

Canção das mulheres Que o outro saiba quando...
... acho que a vida é um processo... É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção102
... acho que a vida é um processo... É como...
Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)
é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção137
Um anjo vem todas as noites: senta-se ao pé de...
Homens são passos; mulheres são perfumes
Que se aproximam, param e se esquivam
Sem lançar raízes nessa treva.
Beijam-se às vezes, como num murmúrio,
Pra depois, num mundo só de beijos..."
Lya Luft

Homens são passos; mulheres são perfumes Que se...
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

Canção das mulheres Que o outro saiba quando...
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.
Lya Luft

Se não conheço os mapas, escolho o imprevisto:...
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

Canção das mulheres Que o outro saiba quando...
Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
Lya Luft

Canção na plenitude Não tenho mais os olhos de...
que o outro não me considere sempre disponivel
Lya Luft
Adicionar à minha coleção7
Que o outro não me considere sempre disponivel
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome...
A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção37
A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco...
Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
Lya Luft

Canção na plenitude Não tenho mais os olhos de...
ão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.

Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
Lya Luft

Ão sutilmente em tantos breves anos foram se...
A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção93
A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu...
PENSAR É TRANSGREDIR

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
Lya Luft

PENSAR É TRANSGREDIR Não lembro em que momento...
CANÇÃO DOS HOMENS

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo
- filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar
ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.

E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor,
ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente,

Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.
Lya Luft

CANÇÃO DOS HOMENS Que quando chego do trabalho...
Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega.
Lya Luft

Há gente que, em vez de destruir, constrói; em...
Apesar das minhas fragilidades, avanço.
Lya Luft

Apesar das minhas fragilidades, avanço.
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção4
Canção das mulheres Que o outro saiba quando...
Pois viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção52
Pois viver deveria ser - até o último pensamento...
As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.
Lya Luft
Adicionar à minha coleção42
As pessoas são responsáveis e inocentes em...
Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher
Lya Luft
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Canção das mulheres Que o outro saiba quando...
''a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. eventualmente reprogramada. conscientemente executada. muitas vezes ousada"
Lya Luft